AP Photo/Dmitri Lovetsky
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Putin contraria chanceler e anuncia que não expulsará diplomatas americanos

'Não vamos criar problemas', disse o presidente russo, que aposta em melhora das relações entre os dois países quando Donald Trump assumir, em 20 de janeiro; mais cedo, ministro de Relações Exteriores Serguei Lavrov sugeriu declarar 'persona non grata' 35 funcionários do governo americano

O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2016 | 10h56
Atualizado 30 Dezembro 2016 | 12h53

MOSCOU - Em uma rara ruptura com a tradição diplomática de punição recíproca, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta sexta-feira, 30, que não expulsará diplomatas americanos em razão das sanções impostas na quinta-feira pelo governo americano pela suposta ingerência russa nas eleições presidenciais dos EUA.

"Não vamos criar problemas para os diplomatas americanos. Não expulsaremos ninguém. Não proibiremos nem suas famílias, nem seus filhos de desfrutarem seus lares para descanso nas festas natalinas", afirmou Putin em declaração divulgada pelo Kremlin. "Planejamos novas medidas para restaurar a relação russo-americana com base nas políticas da administração do Presidente Donald Trump", completou. O texto deixa claro, no entanto, que Moscou se reserva o direito de punir diplomatas americanos futuramente, se necessário. 

A decisão do presidente russo foi divulgada horas depois de o chanceler russo, Serguei Lavrov, anunciar em transmissão na TV estatal que tinha sugerido punir 35 diplomatas dos EUA e fechar duas instalações americanas no país, o que seria uma resposta na mesma moeda usada pelo governo de Barack Obama - na quinta-feira, o presidente americano anunciou a expulsão de 35 diplomatas russos e o fechamento de duas instalações russas no país que supostamente seriam usadas para espionagem.

A aposta de Putin é que com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, a partir de 20 de janeiro, as relações entre os dois países possam melhorar. Ainda assim, sua decisão causou surpresa já que além de desautorizar publicamente seu ministro de Relações Exteriores, ele também quebrou com o longo histórico de expulsões recíprocas entre os dois países. Tradicionalmente, tanto a ex-União Soviética quanto a Rússia são adeptas do protocolo diplomático.

Reforçando a aposta de Putin, seu porta-voz, Dmitry Peskov, também afirmou nesta sexta-feira, ao comentar que caberia ao presidente russo decidir como responder às sanções americanas, esperar a posse de Trump: "Nós partimos da premissa de que essas decisões foram tomadas pelo presidente Obama, mas em três semanas Donald Trump será o novo chefe do Estado."

Retaliação. Ao fazer suas recomendações, o chanceler russo disse que ações como as tomadas pelos Estados Unidos não poderiam ficar sem resposta. "É claro, não podemos deixar truques maliciosos sem uma resposta", disse Lavrov. "A reciprocidade é a lei da diplomacia e das relações internacionais."

Lavrov também voltou a negar as acusações do governo americano de que as agências de inteligência da Rússia estavam por trás de hackers que atacaram os e-mails do Comitê Nacional Democrata e obtiveram informações da campanha de Hillary Clinton em uma ação orquestrada para favorecer Trump.

Outros membros do governo russos sugeriram, no entanto, aguardar para definir uma reação às sanções de forma que não sejam causados problemas ao governo Trump logo após sua posse. Para o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, por exemplo, a melhor estratégia é concentrar a culpa pelas novas sanções no governo Obama, que está em seu último mês. "É lamentável que o governo Obama, que começou a restaurar nossos laços, esteja terminando seu mandato em uma agonia anti-Rússia. Descanse em Paz (RIP)", escreveu Medvedev em sua conta no Twitter nesta sexta.

"As contramedidas, que são tipicamente obrigatórias, devem ser ponderadas neste caso, considerando as circunstâncias conhecidas do período de transição e a possível resposta do presidente eleito dos EUA", afirmou Konstantin Kosachyov, presidente do comitê de assuntos externos da câmara alta do Parlamento da Rússia. / NYT, WPOST, EFE e REUTERS

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