Putin apoia multa maior para ativistas opositores

Presidente diz que o Estado tem o direito de proteger-se de atos radicais; líder opositor diz que punição de até US$ 28 mil incentivará protestos

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2012 | 03h09

O presidente russo, Vladimir Putin, apoiou a proposta que prevê a aplicação de altas multas para os cidadãos que participarem de protestos não autorizados contra o seu governo. O apoio foi anunciado horas antes da libertação de dois proeminentes líderes opositores detidos em manifestações durante a posse presidencial, há duas semanas.

A lei, que deve ser aprovada facilmente pelo Parlamento, prevê multas de até US$ 28 mil para quem para quem participar dos protestos, que nos últimos meses tomaram as ruas das principais cidades russas. Segundo Putin, a punição é necessária para "proteger as pessoas de manifestações radicais". "A sociedade e o Estado têm o direito de se proteger de tais manifestações", disse o presidente aos deputados da Duma, a câmara baixa do Parlamento.

Segundo a imprensa russa, a lei pode ser aprovada dias antes do grande protesto planejado pela oposição no dia próximo 12. Os poucos deputados opositores eleitos em dezembro afirmam que a punição pode enfurecer os manifestantes e desestabilizar o país ao impedir o direito dos cidadãos de manifestar opiniões contrárias ao governo.

Mais de 400 pessoas foram detidas pela polícia no último protesto contra o governo, realizado na posse de Putin. O blogueiro e ativista anticorrupção Alexei Navalni e o político de esquerda Sergei Udaltsov foram libertados ontem após o cumprimento da pena de 15 dias de prisão. Navalni afirmou que a nova legislação terá efeito contrário ao esperado pelo Kremlin. "A adoção da nova lei vai aumentar o número de participantes nos protestos e motivará os cidadãos a resistir", afirmou o opositor ao ser libertado.

Um dos autores do projeto de lei, Alexander Sidyakin, afirmou que os organizadores des protesto também deve ser condenados ao serviço público. "Eles devem ganhar vassouras para limpar a bagunça deixada após suas violações", afirmou.

Especialistas insistem que o apoio ao presidente está diminuindo. Segundo o Centro de Investigações Estratégicas, um dos primeiros a prever o início dos protestos contra Putin, os recentes confrontos entre a polícia e os manifestantes são um claro sinal de que os protestos estão estabelecendo o ritmo das decisões tomadas pelo Kremlin, e o cenário mais sombrio é o mais provável.

"A crise tornou-se irreversível. A manutenção da estabilidade política, muito menos um retorno ao o status quo pré-crise é impossível. A escalada da violência começou, e a tendência sobre a realização de protestos pacíficos é cada vez mais improvável", afirma o relatório emitido pela organização.

Oposição. Muitos políticos esperam que o ex-ministro das Finanças Alexei Kudrin, demitido após desavenças com ex-presidente e atual premiê Dmitri Medvedev, assuma um papel mais ativo na oposição ao governo. Ontem, Kudrin afirmou que o país está mais próximo da recessão econômica. Ele ainda previu um período de "desestabilização política" com a queda da renda.

Para Kudrin, uma futura crise econômica aumentará os protestos contra Putin, e espalhará ainda mais o movimento pelo país, atingindo até mesmo as áreas rurais que apoiam fortemente o presidente. / NYT e REUTERS

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