Putin assinará lei que proíbe americanos de adotar russos

Medida é uma resposta à legislação dos EUA que pune cidadãos da Rússia acusados de violação dos direitos humanos

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2012 | 02h02

As relações entre os Estados Unidas e a Rússia estremeceram-se ainda mais ontem depois que o presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou assinar uma lei aprovada pela Duma (Parlamento) que proíbe americanos de adotarem crianças russas.

A medida é uma retaliação à decisão do governo de Washington de impor restrições a vistos e o congelamento de bens de cidadãos russos acusados de violação dos direitos humanos.

"Por enquanto, não vejo razão para não assinar essa legislação, embora ainda pretenda revisar o texto final e pesar todas as questões", disse Putin ontem, depois da aprovação da nova lei no Parlamento, que é controlado por uma coalizão aliada ao seu governo. Em tom sarcástico, o presidente da Rússia acrescentou que existem "muitos lugares do mundo com padrões de vida superiores aos nossos". "Portanto, deveríamos enviar todas as nossas crianças para esses lugares? Talvez devêssemos ir nós mesmos para esses lugares", afirmou.

A Rússia é a principal origem de crianças adotadas pelos americanos. Cerca de 250 crianças e famílias serão afetadas pela nova legislação, caso Putin realmente a assine. Os defensores da lei afirmam que 19 crianças nascidas na Rússia e adotadas por famílias nos EUA morreram ao longo da última década. Ao todo, 60 mil chegaram aos EUA no mesmo período.

Segundo o presidente russo, a Justiça americana impõe uma série obstáculos para o governo de Moscou investigar supostas violações cometidas contra esses menores de idade em território americano. Já o Departamento de Estado dos EUA, por meio de seu porta-voz, afirmou que questões políticas não podem afetar a vida dessas crianças.

Críticos do projeto de lei dizem que a Rússia está fazendo política com as vidas das crianças. Defensores dos direitos humanos dizem que as crianças do sobrecarregado e problemático sistema de orfanatos da Rússia terão menos possibilidade de encontrar lares se o projeto se converter em lei.

Ao longo de seus quatro anos de primeiro mandato, o presidente americano, Barack Obama, buscou uma aproximação com Moscou, assinando uma série de acordos. Houve também cooperação na questão nuclear iraniana e em relação à Coreia do Norte. Mas Washington e Moscou posicionaram-se em lados antagônicos com relação ao levante na Líbia e a agora na guerra civil da Síria.

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