Putin compara "separatismo" a "terrorismo"

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu ao mundo para acabar com suspeições da era da Guerra Fria e se concentrar no que ele classificou de o verdadeiro perigo - o terrorismo internacional. Os ataques contra Nova York e Washington provaram que as advertências da Rússia sobre o perigo do extremismo islâmico eram justificadas, disse Putin, ao mesmo tempo em que prometia apoio a uma aliança internacional contra o terrorismo liderada pelos Estados Unidos.Num raro discurso de um líder estrangeiro no Parlamento alemão, Putin sugeriu que "estereótipos" do confronto leste-oeste, advindos da Guerra Fria, permitiram que o terrorismo florescesse nas sombras. Isso ocorreu "enquanto não percebíamos que o mundo não é mais dividido em dois campos inimigos", afirmou. "O mundo tornou-se muito, muito mais complicado"."Enquanto isso, não reconhecíamos os verdadeiros perigos", disse. "Terrorismo, ódio nacional, separatismo e extremismo religioso têm a mesma raiz em todos os lugares, e produzem a mesma fruta venenosa". Dando início a uma visita de três dias à Alemanha, o maior amigo da Rússia na Europa, Putin encontrou uma platéia simpática a seu esforço de unir a Rússia, a Europa e os Estados Unidos numa nova luta comum. "Falamos sobre parcerias, mas na realidade nunca aprendemos a viver juntos", avaliou. "Hoje, devemos declarar com firmeza: A Guerra Fria acabou".A primeira viagem de Putin ao Ocidente desde os ataques de 11 de setembro também deu a ele uma extraordinária oportunidade para buscar a confiança de um influente parceiro: ele fez praticamente todo o discurso em alemão fluente, uma língua que aprendeu enquanto era um oficial da KGB soviética na Alemanha Oriental. Os parlamentares responderam aplaudindo-o de pé ao final do discurso.Putin não deu novos detalhes sobre até onde a Rússia está disposta a ir em seu apoio aos esforços liderados pelos EUA para perseguir Osama bin Laden, que Washington aponta como o principal suspeito dos ataques. Mas a experiência de Moscou no combate ao extremismo islâmico, seu conhecimento do Afeganistão - a base de Bin Laden - e sua influência sobre a vizinha Ásia Central o tornam um valioso parceiro.Putin ofereceu amplo apoio ao esforço antiterrorista dos EUA na segunda-feira, abrindo o espaço aéreo russo para vôos humanitários e prometendo enviar armas às forças de oposição que combatem o governo afegão do Taleban. Num discurso em rede nacional de televisão, ele também disse que Moscou estava pronto para ajudar em missões de busca e resgate."Naturalmente, o mal deve ser punido", afirmou Putin aos parlamentares alemães. "Mas temos de entender que nenhum ataque retaliatório pode substituir uma luta determinada, bem coordenada, contra o terrorismo. Neste sentido, eu concordo plenamente com o presidente americano".O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, que desenvolveu uma relação pessoal com Putin em três cúpulas anteriores, saudou o apoio do russo. "Isso mostra que estamos bem assessorados para trabalhar com a Rússia como um parceiro para combater ameaças mundiais", disse Schroeder numa entrevista coletiva após reunir-se com Putin. "Esta mensagem nem sempre foi ouvida em todos os lugares. Agora ela é."A campanha militar da Rússia contra rebeldes na Chechênia, muito criticada por grupos de direitos humanos, requer agora uma "nova avaliação", disse Schroeder. A Rússia considera os rebeldes como parte do que chama uma campanha terrorista para estabelecer um Estado islâmico independente na região. "Não podemos dar trégua aos terroristas", disse Putin. "Eles têm de ser colocados num completo isolamento ideológico e político".

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