Putin comparece ao funeral de Aleksandr Soljenítsin

Escritor foi símbolo da resistência na URSS; para premiê, queda do regime é a maior catástrofe do século XX

Efe,

05 de agosto de 2008 | 11h40

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, esteve nesta terça-feira, 5, na Academia de Ciências para se despedir do escritor russo e prêmio Nobel de Literatura Aleksandr Soljenítsin, que morreu no último domingo. Conhecido por suas ferozes críticas ao regime soviético - e em especial às prisões e aos campos de trabalhos forçados em que eram confinados os dissidentes, ele era considerado o maior escritor russo vivo.   Putin, que classificou a dissolução da União Soviética (URSS) como "a maior catástrofe geopolítica do século XX", depositou um ramo de rosas vermelhas aos pés do caixão no qual estava o corpo de Soljenítsin e se aproximou da viúva, Natalia, para lhe expressar seus pêsames.   A viúva do autor de Arquipélago Gulag, seus dois filhos e seus netos receberam durante várias horas as condolências de dezenas de representantes políticos e culturais russos. O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov, durante cujo mandato a cidadania soviética foi devolvida a Soljenítsin, também estava presente à Academia, assim como o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov.   O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que está realizando um cruzeiro, deve interromper nesta quarta seu passeio pelo rio Volga para assistir ao enterro de Soljenítsin, no cemitério do histórico mosteiro Donskoi de Moscou.   A forte chuva que cai sobre a capital russa não foi empecilho para que milhares de pessoas fizessem fila para homenagear o Prêmio Nobel de Literatura de 1970, considerado por muitos a "consciência da Rússia". Os presentes ao funeral eram, em sua maioria, pessoas de idade avançada, mas também havia jovens e estudantes universitários.   Entre as primeiras personalidades que se despediram de Solzhenitsyn e apresentaram suas condolências aos parentes estava o ex-primeiro-ministro russo Yevgueni Primakov. O caixão foi instalado na sala de atos da Academia de Ciências, e na cabeceira foi colocado um enorme retrato em preto e branco do escritor, acompanhado de uma bandeira da Rússia.   O autor de Pavilhão de cancerosos, Um dia na vida de Ivan Denisovich, entre outras obras, morreu no domingo passado com 89 anos em conseqüência de insuficiência cardíaca. "Soljenítsin foi para o século XX o que Dostoiévski e Tolstói foram para o XIX. Sua missão vital foi acabar com o comunismo", declarou Viktor Zhivov, filólogo e amigo do escritor.   Ele acrescentou que foi um "milagre" Soljenítsin viver 89 anos, já que esteve a ponto de morrer em várias oportunidades: na Segunda Guerra Mundial, quando foi preso em um campo de trabalhos forçados e quando contraiu câncer nos anos 50. "Mais que um escritor, era um ideólogo, um pensador e um ativista. Ainda me lembro da comoção que seus livros causaram quando os li de maneira clandestina", concluiu.

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