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Putin consegue apoio de Turquia e Irã para negociar paz na Síria

Governo sírio diz que aprova iniciativa, mas oposição prefere prosseguir com reuniões em Genebra

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 21h33

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, conseguiu nesta quarta-feira o apoio de seus colegas da Turquia e do Irã para reunir na Rússia representantes do governo sírio e da oposição. De acordo com Putin, a negociação é “uma verdadeira oportunidade” para acabar com o conflito que assola a Síria desde 2011. 

O presidente russo, principal aliado do presidente sírio, Bashar Assad, reuniu-se com Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, e Hassan Rohani, do Irã, no balneário russo de Sochi, no sul do país, para relançar o processo de paz depois que o governo sírio recuperou grande parte do território que estava nas mãos dos rebeldes e dos extremistas islâmicos.

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Putin recebeu Assad na segunda-feira em Sochi, na primeira viagem do líder sírio ao exterior desde 2015. O presidente russo também manteve conversas por telefone com vários líderes mundiais, entre eles o presidente americano, Donald Trump.

Abre-se uma nova etapa na solução da crise”, disse Putin após a reunião desta quarta-feira. Os três presidentes disseram ser favoráveis à realização de um “congresso” sírio em Sochi, uma iniciativa russa lançada no fim de outubro, mas que não tinha dado nenhum resultado até agora.

Por meio de um comunicado, a chancelaria síria disse que o governo recebeu favoravelmente a iniciativa. “A Síria apoia qualquer ação política que respeite sua soberania e sua integridade territorial e contribua para pôr fim ao derramamento de sangue sírio.” A ideia, no entanto, foi rejeitada pela oposição a Assad, que prefere prosseguir com as negociações em Genebra, que serão retomadas no dia 28. 

Rússia e Irã, aliados do regime sírio, e a Turquia, que apoia os rebeldes, são os principais defensores do chamado processo de Astana, capital do Casaquistão, que permitiu criar quatro “zonas de distensão” no território sírio.

Estas medidas permitiram reduzir a tensão no país e reunir representantes do regime e da oposição para abordar questões militares, em um momento em que as negociações de Genebra haviam chegado a um impasse. No entanto, o principal obstáculo para um acordo continua sendo o futuro de Assad, no poder desde 2000 e agora em posição de força.

Ainda há muitas dúvidas rondando a iniciativa russa de promover um congresso sírio para tentar estabelecer a paz. Por enquanto, não se fixou nenhuma data e Erdogan se mantém firme em seu repúdio a que as milícias curdas, que controlam parte do norte da Síria, participem das negociações. A oposição síria, por sua vez, segue sob pressão para fazer concessões. / REUTERS e AFP

 

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