Putin dá sinais de que terá algum poder após fim de mandato

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, em um discurso feito nesta quinta-feira, 26, ofereceu poucas pistas sobre quem poderia sucedê-lo, mas deixou claro que espera ter alguma influência sobre os rumos do país após deixar seu cargo. O último discurso do estado da nação realizado por Putin antes do fim do mandato dele contou com várias promessas capazes de render votos a seus aliados e críticas à interferência estrangeira. O dirigente revelou planos de ampliar os gastos com aposentadorias, a energia atômica e a construção de navios e casas, mas não se manifestou claramente sobre a maior pergunta existente hoje no mundo da política russa, quem escolherá para ser o sucessor dele. "Minha autoridade presidencial chega ao fim em 2008 e o próximo discurso do estado da nação será realizado por outro chefe de Estado. E muitos dos meus colegas esperavam que esse discurso se concentrasse principalmente nos resultados dos esforços que realizamos desde 2000", afirmou Putin. "Para mim, é prematuro apresentar meu testamento político", afirmou o dirigente, sendo aplaudido pela platéia formada por autoridades do primeiro escalão, generais, deputados e bispos. "Apesar de, em verdade, ser sempre necessário pensar no futuro." Especialistas que acompanham o governo russo e investidores estrangeiros tentam descobrir alguma pista sobre quem será o dirigente da Rússia em 2008, quando, segundo a Constituição, Putin terá de deixar o cargo. O atual líder, no entanto, poderia regressar ao posto mais tarde. Entre os possíveis candidatos estão os primeiros-vice-primeiros-ministros Sergei Ivanov e Dmitry Medvedev, o chefe do setor de ferrovias do país, Vladimir Yakunin, e o chefe de gabinete de Putin, Sergei Sobyanin. "O presidente foi bastante claro, afirmando ser cedo demais para pensar no testamento dele", afirmou Mikhail Margelov, presidente da comissão de assuntos internacionais da Câmara alta do Parlamento. "A forma como o discurso foi formulado e as idéias contidas nele mostram que o presidente não colocará fim a sua carreira política depois de março de 2008", disse.

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