REUTERS/Alexei Nikolskyi
REUTERS/Alexei Nikolskyi

Putin decreta sanções econômicas à Turquia

Entre as medidas, suspende ou restringe a entrada na Rússia de determinadas mercadorias da Turquia e estabelece restrições a empresas turcas para realizar determinados trabalhos e prestar serviços no território russo

O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2015 | 18h58

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, decretou neste sábado, 29, uma série de sanções econômicas à Turquia que servirá para garantir a segurança nacional e defender os russos de "ações criminosas", em resposta a queda de um caça-bombardeiro russo Su-24 na fronteira turco-síria, que o Kremlin qualificou de "desafio sem precedentes". Mais cedo, hoje, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, lamentou o incidente pela primeira vez

Entre as medidas, o decreto suspende ou restringe a entrada na Rússia de determinadas mercadorias procedentes da Turquia. O texto estabelece também proibições e restrições a empresas turcas para realizar determinados trabalhos e prestar serviços no território russo. Todas as restrições farão parte de uma lista a ser elaborada pelo Gabinete de Ministros. Além disso, Putin proibiu as empresas russas, a não ser mediante autorização do governo, de contratar turcos a partir de 1º de janeiro.

O decreto presidencial determina ainda que as operadoras de turismo do país deverão suspender as vendas de produtos e serviços que contemplem visitas à Turquia. Com esse fim, Putin ordenou ao governo adotar medidas para proibir os voos fretados entre Rússia e Turquia, até agora o segundo destino turístico mais procurado pelos russos, depois do Egito.

Segundo o governo russo, esta medida poderia significar para o setor turístico da Turquia a perda de até US$ 10 bilhões por ano, valor equivalente ao superávit turco na troca comercial entre os países. Conforme o decreto, fica suspenso também a partir de 1º de janeiro o acordo de isenção de vistos para os cidadãos turcos.

Por fim, o chefe do Kremlin encarregou o governo de adotar medidas para reforçar a segurança portuária no Mar Negro e no Mar de Azov e redobrar o controle sobre as empresas turcas de transporte automobilístico de carga. O decreto não faz alusão a grandes projetos conjuntos russo-turcos no âmbito da energia.

As sanções foram anunciadas depois que o governo em Moscou exigiu desculpas da Turquia, compensações e punição aos culpados pela queda do avião, que cumpria uma missão de bombardeio antiterrorista na Síria. A reação das autoridades turcas, que se limitaram a lamentar o incidente e a dizer que o caça russo invadiu o espaço aéreo da Turquia, geraram a ira do governo russo. O incidente causou a morte de um dos dois pilotos russos, enquanto o outro foi resgatado por forças especiais russas

Em entrevista transmitida hoje pela TV russa, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que o abate do Su-24 causou um "prejuízo difícil de reparar" às relações bilaterais russo-turcas. "Putin disse que nós víamos a Turquia como aliada. Todo isso foi destruído literalmente em um instante por um disparo de um F-16 turco", acrescentou.

O porta-voz ressaltou que agora os pilotos russos que participam das missões de bombardeios na Síria estarão a salvo de novos ataques. "Podemos constatar uma coisa: os pilotos russos estão assegurados no caso de novos perigos. O correspondente sistema antiaéreo já foi instalado", disse, se referindo ao sistemas de mísseis de defesa aérea S-400 de longo alcance instalado em uma base na Síria, apenas 50 km ao sul da fronteira com a Turquia, para ajudar a proteger aviões de guerra russos. / EFE e AP

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