Putin defende eleição e culpa Ocidente por protestos

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, acusou nesta quinta-feira os organizadores de um grande protesto contra supostas fraudes eleitorais de trabalharem para enfraquecer o país sob ordens do Ocidente. Os comentários duros do político devem gerar fúria ainda maior contra seus 12 anos no poder. Além disso, Putin sugeriu a volta de eleições para governadores regionais, porém apenas com os nomes aprovados pela presidência.

AE, Agência Estado

15 de dezembro de 2011 | 08h58

Falando na televisão, Putin insistiu que a eleição parlamentar de 4 de dezembro foi um reflexo genuíno da vontade popular. O premiê ainda elogiou os protestos contra as eleições - os maiores em 20 anos -, dizendo que eles refletem um aumento na atividade pública, o que é bem-vindo. Putin, porém, acusou os organizadores de protestos de buscar desestabilizar o país, sob ordens do Ocidente. "Esse é um padrão bem organizado para desestabilizar a sociedade."

Na semana passada, Putin rechaçou críticas da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, dizendo que elas eram parte dos esforços dos EUA para enfraquecerem a Rússia.

Putin disse que o resultado da eleição parlamentar reflete o desejo popular e que as acusações da oposição buscavam apenas fortalecer a posição dela. "Os resultados desta eleição sem dúvida refletem o real equilíbrio de poder no país", afirmou ele. "É muito bom que o Rússia Unida preservou sua posição de liderança", completou, referindo-se a seu partido. Segundo ele, uma queda no apoio era algo natural, resultado da crise financeira global de 2008 que também afetou o país. O Rússia Unida perdeu cerca de 20% das cadeiras na eleição e não possui mais a maioria de dois terços que lhe permitia mudar a Constituição no Parlamento anterior, mas ainda tem a maioria das cadeiras no Legislativo.

Putin, que foi presidente entre 2000 e 2008, propôs que voltem a ocorrer eleições para governadores no país. Essas eleições haviam sido abolidas em 2004, em uma medida para o Kremlin fortalecer seu controle sobre o país. Desde então, os governadores têm sido nomeados ou demitidos de acordo com a vontade de Putin e do atual presidente, Dmitry Medvedev.

Putin propôs que os partidos com o apoio regional requisitado apresentem seus candidatos a governador, porém o presidente teria o poder de "filtrar" os nomes. Só então haveria uma eleição, entre os nomes da lista aprovada pelo voto popular.

No ano que vem, Putin busca voltar à presidência. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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