Putin defende medidas contra a Yukos diante da UE

O presidente russo, Vladimir Putin, respondendo a preocupações na Europa sobre as medidas tomadas por Moscou contra a segunda maior petrolífera do país, prometeu combater duramente todas as irregularidades na Rússia, mas disse que não estava empenhado em perseguições individuais. Putin disse à imprensa, após o encontro União Européia-Rússia em Roma, que as autoridades russas estavam observando atentamente todos os empresários que ganharam bilhões de dólares nas privatizações dos anos 90. Tais fortunas, disse ele, seriam sido impossíveis na Europa Ocidental. Entretanto, Putin garantiu que as privatizações não serão revertidas porque "as consequências seriam ainda piores". A intervenção de capital da petrolífera Yukos e a prisão de seu proprietário, o magnata Mikhail Khodorkovski, que está em prisão preventiva desde o dia 25 acusado de fraude e evasão fiscal, foi um dos temas discutidos hoje durante a reunião UE-Rússia, além da questão da república separatista russa da Chechênia. O presidente russo assegurou aos representantes dos países membros da UE que a detenção de Khodorkovski foi uma simples aplicação da lei e da defesa do estado de direito. Questionado durante a reunião e depois pela imprensa sobre o caso Yukos e pelas críticas sobre a falta de direitos humanos na Chechênia, Putin disse que a falta dos direitos humanos é um problema universal e o mesmo ocorre com os delitos ligados a atividades econômicas, fenômenos diante dos quais "deve-se reagir". Quando lhe perguntaram sobre o risco de estabelecimento de um regime baseado em casos como a Chechênia e a Yukos, Putin contou com a preciosa ajuda do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, presidente de turno do Conselho Europeu. Berlusconi fez uma acalorada defesa de Putin como dirigente democrático: "Eu o conheço e garanto que sabe o que é a separação de poderes. Não acho que haja falta de democracia." O chefe de governo italiano também assegurou ter "informações seguras" de que os consórcios petrolíferos russos não têm cumprido as leis. Putin também declarou que não cederá a "nenhuma chantagem" sobre o caso da Yukos e se comprometeu a restaurar a estabilidade financeira da Rússia. Ele acusou os multimilionários que se enriqueceram com as privatizações na Rússia, de gastar "centenas de milhões de dólares" para defender sua riquezas e pagar somas exorbitantes a seus advogados para que a imprensa se mobilize sobre o caso. Putin também recebeu hoje o apoio do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, que disse que os responsáveis devem ser punidos se a companhia cometeu irregularidades. A Casa Branca indicou hoje que o caso Yukos está criando sérias preocupações e as autoridades russas deveriam dissipar o temor de que a questão tenha motivações políticas. Muitos acreditam que a prisão de Khodorkovski tem a ver com o fato de ele estar financiando partidos de oposição e de aparentemente ter intenção de disputar a presidência em 2004.

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