Putin deixa cargo em 2008, mas promete manter influência

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reiterou nesta quarta-feira que deixará o cargo em 2008, como estipula a Constituição do país. Putin, que retirou uma proposta de emenda constitucional que lhe permitiria concorrer a um terceiro mandato, disse, no entanto, que continuará a influenciar os rumos políticos do país."Mesmo sem os poderes presidenciais e impedido de costurar as leis de acordo com meus interesses pessoais, eu trabalharei para manter a coisa mais importante que uma pessoa envolvida com política pode cultivar - a sua confiança", disse o presidente. "E, usando isso, você e eu poderemos exercer influência na vida do nosso país e garantir o seu desenvolvimento", continuou Putin, que respondia a perguntas de telespectadores durante o programa anual de TV "Linha direta com o presidente". Todos os anos os russos são convidados a enviar ao presidente perguntas por e-mail, telefone e mensagens de texto. Este ano, mas de dois milhões de perguntas foram enviadas. Esta é a quinta "Linha direta" com Putin. A sessão reforça a percepção entre os russos de que Putin é um líder aberto, capaz e responsável. Segundo a última pesquisa realizada pelo Centro Lavanda, Putin tem uma aprovação de 77% dos eleitores.Temas polêmicosO presidente também comentou o aparente crescimento de assassinatos de aluguel na Rússia e o abalo na relação com a Georgia.Sobre a Georgia, Putin disse que as relações entre os dois países foi inicialmente motivada pelo desejo russo de prevenir um derramamento de sangue em duas regiões separatistas do pequeno país do Cáucaso. A Georgia, no entanto, acusa a Rússia de apoiar os movimentos separatistas.Putin condenou a perseguição a georgianos que vivem na Rússia por agências de segurança. "Eu não posso aprovar ações seletivas contra grupos étnicos. Pelo contrário, tenho pedido às agências de segurança que fiquem distantes dessas ações", disse.O presidente disse também que os assassinatos de aluguel diminuíram no país desde o início dos anos 1990. Nos últimos dois meses, no entanto, um funcionário do Banco Central Russo que combatia a corrupção, uma jornalista defensora dos direitos humanos e um candidato a prefeito foram mortos na Rússia. Em todos os crimes, os indícios apontam para a ação de assassinos de aluguel."A obrigação do Estado é levar qualquer investigação até o fim - isso incluiu o assassinato de representantes da grande mídia e de membros da esfera econômica", disse.

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