Putin distancia-se de ''admirador'' norueguês

MOSCOU

, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

Elogiado no documento de mais de 1.500 páginas deixado pelo norueguês Anders Behring Breivik, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, distanciou-se ontem do atirador que matou 76 pessoas na sexta-feira. Segundo o porta-voz de Putin, Breivik "é a encarnação do diabo".

O extremista de direita cita o homem forte de Moscou como um exemplo de combatividade contra o multiculturalismo e o Islã, que estariam corroendo a Europa. "Uma pessoa que gostaria de conhecer? Minha resposta é "o papa ou Vladimir Putin"", escreveu o assassino confesso no compêndio que postou na internet.

Aos olhos do terrorista, Putin é um "líder decidido e justo, que merece respeito". "Neste momento, não sei se ele será nosso melhor amigo ou nosso pior inimigo."

Breivik também elogia o grupo de jovens pró-Putin que tem ganhado crescente espaço na Rússia, conhecido como "Nashi". Para o atirador, é preciso criar na Europa Ocidental uma "organização cultural conservadora" semelhante à Nashi.

Resposta. Dmitri Peskov, porta-voz do premiê, chamou Breivik de "diabo" e disse que o norueguês é "completamente louco". "Não importa o que esse homem escreveu ou disse, trata-se de um delírio de um maluco."

Maria Kislitsyna, porta-voz da Nashi, disse em entrevista à agência russa Interfax que pela primeira vez a organização era mencionada "em um contexto como esse".

A Nashi foi formada pelo Kremlin para conter os protestos pró-Ocidente que tomaram as ruas de ex-repúblicas soviéticas nos anos 90. Disciplinado e com uma agenda nacionalista, o grupo é muitas vezes comparado com a juventude soviética do Partido Comunista. / NYT

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