Putin diz não haver provas de morte violenta

O presidente russo Vladimir Putin descreveu nesta sexta-feira a morte do ex-espião russo como uma tragédia, mas acrescentou não ver provas de ter sido uma "morte violenta". Putin, que estendeu suas condolências à família de Alexander Litvinenko, disse que os documentos médico britânicos não mostravam "que isso foi um resultado de violência, não foi uma morte violenta, então não há base para especulações desse tipo." No entanto, algumas horas após a declaração de Putin, vestígios de material radioativo foram encontrados na urina do ex-espião. A informação foi confirmada pelo cientista Roger Cox, da Agência de Proteção à Saúde do Reino Unido. Em entrevista coletiva, Cox disse que, na amostra examinada, foi encontrada uma "grande quantidade" de radiação alfa, provavelmente emitida por uma substância radioativa denominada polônio 210. Segundo a diretora executiva da agência, Pat Troop, o alto nível de radiação encontrada na urina de Litvinenko indica que "ele pode ter ingerido, inalado ou se contaminado através de um ferimento". "O que sabemos é que ele recebeu uma grande dose" do elemento, completou Pat. Um pouco antes de falecer em um hospital de Londres na quinta-feira à noite, Litvinenko ditou uma declaração acusando Putin de envolvimento. "A morte de um homem é sempre uma tragédia e eu considero isso deplorável", disse Putin após ser questionado sobre Litvinenko durante coletiva de imprensa após conversas com líderes da União Européia. Putin afirmou que o fato de a declaração de Litvinenko ter sido divulgada apenas após a sua morte mostra que é uma "provocação". "É extremamente lamentável que um evento trágico como a morte seja usada para provocações políticas", disse. "Acho que nossos colegas ingleses se dão conta da sua responsabilidade pela segurança dos cidadãos vivendo em seu próprio território, inclusive cidadãos russos, independente de suas visões políticas. Espero que eles não ajudem a alardear escândalos políticos infundados." Putin disse que a Rússia estava pronta para ajudar na investigação da morte do ex-espião da KGB, serviço secreto russo. "Se necessário, experts russos e promotores irão oferecer a ajuda necessária às investigações."

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