Alexei Druzhinin, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
Alexei Druzhinin, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP

Putin diz que desconhece responsável por ciberataque ao comitê do Partido Democrata americano

Em entrevista, presidente russo afirmou que não importa quem hackeou os dados e sim ‘o conteúdo que foi dado ao público’

O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2016 | 13h00

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que desconhece quem são os responsáveis pela invasão cibernética ao comitê do Partido Democrata dos Estados Unidos, mas que as informações reveladas são importantes, informou nesta sexta-feira, 2, à Bloomberg.

Em uma entrevista concedida dois dias antes da cúpula do G20 na China - com a participação do presidente americano, Barack Obama, e outros líderes mundiais -, Putin disse que pode ser impossível determinar quem deflagrou a divulgação dos e-mails sigilosos do Partido Democrata, mas que isso não foi feito pelo governo russo.

"Tem alguma importância quem hackeou estes dados?", indagou Putin. "O importante é o conteúdo que foi dado ao público." "Não há necessidade de distrair a atenção pública da essência do problema abordando questões menores ligadas à busca de quem o fez", acrescentou. "Mas quero dizer a vocês novamente, não sei nada a respeito e, em nível estatal, a Rússia jamais fez isso."

Os e-mails violados, divulgados pelo grupo WikiLeaks em julho, parecem demonstrar um favoritismo do Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) pela candidata à presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton e levaram à renúncia da presidente da entidade.

Uma rede de computadores usada pela campanha da ex-secretária de Estado e o comitê de arrecadação do partido para a Câmara dos Deputados também foram invadidos.

Hillary, à frente do candidato republicano Donald Trump em pesquisas de opinião sobre a campanha presidencial de novembro, afirmou que serviços de inteligência russos realizaram um ataque cibernético contra seu partido. Algumas autoridades insinuaram que Moscou está tentando influenciar a eleição americana.

Putin rejeitou as alegações. "Jamais interferimos, não estamos interferindo e não pretendemos interferir na política interna", disse. "Iremos observar cuidadosamente o que acontece e esperar os resultados da eleição. Então estamos prontos para trabalhar com qualquer governo americano, se eles mesmos o quiserem."

As relações entre a Rússia e os Estados Unidos chegaram a seu pior momento pós-Guerra Fria em 2014 em razão da crise na Ucrânia. Desde então, Washington e Moscou têm trocado farpas em razão de suas políticas divergentes na Síria.

Em agosto, Obama disse que iria discutir o ataque cibernético com Putin se a Rússia fosse responsável, mas que isso não alteraria "radicalmente" a relação entre os dois países. / Reuters

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.