Putin diz que EUA participaram da morte de Kadafi

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, implicou nesta quinta-feira o governo dos Estados Unidos no assassinato do governante líbio Muamar Kadafi, ao mesmo tempo em que lançou um ataque verbal contra o senador republicano John McCain, um dos seus maiores desafetos políticos.

AE, Agência Estado

15 de dezembro de 2011 | 16h04

Questionado sobre um comentário de McCain a respeito da Rússia, de que o país poderá enfrentar uma revolta no estilo da "Primavera Árabe", por causa das acusações de fraudes nas eleições parlamentares de 4 de dezembro, Putin disse, lembrando o apoio de McCain à campanha contra Muamar Kadafi: "John McCain lutou na Guerra do Vietnã. Eu penso que ele tem bastante sangue de cidadãos pacíficos nas mãos. Deve ser impossível para ele viver sem essas cenas terríveis", disse Putin, em referência à morte de Kadafi. "Quem fez isso?" perguntou Putin. "Drones, incluídos norte-americanos".

"Eles atacaram a coluna de Kadafi. Então, as forças especiais, usando sua poderosa comunicação, levaram ao local os chamados insurgentes e mataram o líbio sem tribunal nem investigação", disse Putin, em declarações reproduzidas pela agência France Presse (AFP).

O Pentágono imediatamente disse que as acusações são "ridículas".

"A assertiva de que forças especiais norte-americanas estiveram envolvidas na morte do coronel Kadafi são ridículas", disse o capitão John Kirby, porta-voz do Pentágono, à margem da visita do secretário de Defesa, Leon Panetta, ao Iraque.

"Nenhum norte-americano botou os pés na Líbia durante as operações. Todo nosso apoio foi feito por via aérea e naval", disse Kirby.

Na semana passada, Putin culpou a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, de provocar manifestações em Moscou e nas cidades russas ao colocar em dúvida a legitimidade das eleições. Antes, ele já havia acusado o Departamento de Estado americano de tentar desestabilizar a Rússia, ao supostamente financiar a oposição.

As informações são da Dow Jones.

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