Putin diz que não há discriminação contra a população LGBT no país

Apesar disso, russos são proibidos de realizar as marchas do orgulho gay

O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2017 | 04h54

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, assegurou que na Rússia não há nenhum tipo de discriminação contra a população LGBT e afirmou que a lei contra a propaganda homossexual só quer proteger os menores. As declarações foram concedidas ao documentário "Entrevista com Putin", do diretor norte-americano Oliver Stone, cujo segundo de quatro capítulos foi ao ar na noite de quarta-feira nos Estados Unidos.  


"Não temos nenhuma limitação ou repressão por motivo sexual. E mais: muitas pessoas declaram abertamente sua orientação sexual. Mantemos o contato com eles e muitos conseguem ter êxito em suas carreiras profissionais, inclusive até recebendo prêmios estatais", disse o chefe do Kremlim. 

Em relação à polêmica lei russa contra a propaganda homossexual entre os menores de idade, que entre outras coisas proíbe as marchas do orgulho gay, "sua lógica é deixar que as crianças cresçam em um ambiente tranquilo, sem isso incidir em sua consciência", afirmou.

Vladimir Putin assinou, em 2013, a lei, que levantou muitas críticas na comunidade internacional e proíbe também a distribuição de informações capazes de despertar o interesse de menores pelas "relações sexuais não tradicionais", sendo utilizada para proibir as manifestações do orgulho gay no país.

"Quando crescerem, podem decidir livremente como fazer sua vida, inclusive a sexual. Desde o momento em que se tornam maior de idade, não há nenhum tipo de restrição", disse. 

A lei contra a propaganda homossexual, símbolo da homofobia na Rússia, foi promovida por políticos que se declaram religiosos. Perguntado sobre o surpreendente ressurgimento da religiosidade no país, ele disse que a fé preencheu "o vazio" que ficou depois do fim da União Soviética e o abandono da ideologia comunista. 

"Esse vazio não pode ser preenchido com nenhuma outra coisa que não fosse a religião. Não sou o responsável. Quem o fez foi o povo russo". 

O mandatário também respondeu ao diretor dos Estados Unidos sobre as razões pelas quais a Rússia é um "Estado tradicional autoritário". "Durante quase mil anos nosso Estado foi construído como uma monarquia. Depois da Revolução de 1917, chegaram ao poder os comunistas e à frente do Estado esteve Stalin. Somente em princípios dos anos 1990 ocorreram fatos que iniciaram uma nova etapa de desenvolvimento da Rússia". / EFE

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