Putin diz que nível de corrupção na Rússia é "inadmissível"

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse neste sábado, em reunião com os diretores da televisão pública russa, que o nível de corrupção no país é "inadmissível". O pronunciamento ocorreu um dia depois de destituir funcionários de alto escalão do serviço secreto por abuso de poder.O chefe do Kremlin classificou como "muito baixa" a eficácia do governo na luta contra a corrupção, caso contrário "não teria falado disso no discurso sobre o Estado da Nação", ocorrido na quarta-feira. "Poucos países conseguiram resolver o problema da corrupção de maneira definitiva, mas isso não significa que não seja preciso combatê-la", afirmou.O presidente também afirmou que a luta contra a corrupção "não termina nas alfândegas", em alusão ao escândalo de corrupção que culminou com a demissão de dois funcionários do Serviço de Defesa da Ordem Constitucional e da Luta contra o Terrorismo, e outro do Departamento de Luta contra o Tráfico de Drogas do Serviço de Segurança Econômica.Funcionários do Kremlin disseram hoje à agência "Interfax" que não se trata de uma "caça às bruxas", mas que as demissões fazem parte da "luta sistemática contra a corrupção para impedir a entrada de grupos criminosos nas estruturas de segurança".Putin fez uma referência a casos de corrupção ocorridos recentemente nos Estados Unidos - a prisão de um funcionário da CIA na cidade espanhola de Marbella - e na Coréia do Sul: a detenção do presidente da empresa Hyundai.Ele chegou a citar o presidente americano Franklin Roosevelt ao dizer que o seu governo "continuará pisando nos calos" daqueles que "quiserem obter alta posição e riqueza pelo caminho mais curto, às custas do bem-estar comum".Em 2003, o presidente russo fez uma profunda reorganização nos serviços de segurança, através da qual o FSB recuperou muitas das competências do KGB.SucessãoO presidente da Rússia, Vladimir Putin, reivindicou hoje o direito de se pronunciar sobre quem deve ser seu sucessor à frente do Kremlin em 2008, embora tenha ressaltado que essa escolha será do "povo russo". "Acho que tenho o direito de dar minha opinião sobre os candidatos. Mas não vou impor ninguém, já que a reação pode ser contrária", afirmou Putin em reunião com os diretores da televisão pública russa, segundo a agência oficial "Itar-Tass".Putin afirmou ter "uma idéia clara sobre como (o candidato) poderia atuar nessa situação para não desestabilizar e não afugentar os investidores". O vice-primeiro-ministro do país, Dmitri Medvedev, de 40 anos, e o ministro da Defesa, Serguei Ivanov, de 53, são apontados como os possíveis sucessores do presidente. Ambos são de São Petersburgo, assim como Putin, e trabalharam durante muitos anos com ele: Medvedev como seu assessor na prefeitura da antiga capital dos czares e Ivanov, nos serviços secretos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.