Alexei Nikolsky, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
Alexei Nikolsky, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP

Putin diz que trabalhará com qualquer líder americano, mas aguarda confirmação oficial de vencedor

Posicionamento do líder russo segue comentário anterior do Kremlin de que esperaria pelos resultados oficiais da eleição presidencial dos EUA antes de comentar seu resultado

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2020 | 16h16

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse neste domingo, 22, que não parabenizará o vencedor das eleições presidenciais americanas até que o impasse político e judicial entre o democrata Joe Biden e o atual chefe de governo, Donald Trump, tenha terminado.

"Quero lhes assegurar que não há motivação aqui, não é que gostamos de uma e não gostamos da outra. Estamos simplesmente esperando que o confronto político termine", declarou o presidente russo durante o programa de televisão da emissora pública Moscou. Kremlin. Putin.

Um dos poucos líderes que ainda não parabenizaram Biden, assim como o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, Putin frisou que se trata de uma posição puramente formal.

"Respeitamos a todos, o atual presidente Trump e o candidato ao cargo, sr. Biden. É por isso que não há problema para nós", declarou o chefe de governo da Rússia, que garantiu que trabalhará com "qualquer um que receba a confiança do povo americano". Contudo, ressaltou que a vitória precisa ser reconhecida pelo adversário ou ser legalmente confirmada após a certificação final dos resultados das eleições.

O posicionamento segue comentário anterior do Kremlin de que esperaria pelos resultados oficiais da eleição presidencial dos EUA antes de comentar seu resultado.

Putin negou que seu silêncio possa prejudicar as relações bilaterais após Trump ter bloqueado o processo de transição sob o pretexto de uma suposta fraude eleitoral, acusação para a qual jamais apresentou provas.

"Não se pode mais estragar as relações, elas já estão estragadas. Com respeito aos outros, aqueles que parabenizam, todos são pessoas com experiência e sabem o que estão fazendo", disse o presidente russo, que afirmou que quatro anos atrás muitos felicitaram a democrata Hillary Clinton, mas depois ela foi derrotada por Trump.


Quanto à legitimidade do próximo presidente dos EUA, Putin ressaltou que cabe exclusivamente ao povo americano fazer um julgamento sobre o assunto. Porém, não poupou o sistema eleitoral americano de críticas, principalmente pelo fato de que um candidato possa ser eleito mesmo sem o voto da maioria dos eleitores - desde que obtenha mais delegados no colégio eleitoral.

"Isso é democrático? Na minha opinião, é algo evidente. Está claro para o mundo todo, até para os próprios americanos, que há problemas em seu sistema eleitoral", comentou Putin, que acha que deveria haver uma reforma no sistema, mas ponderou: "Isso não é da nossa conta".

Especialistas russos acreditam que, embora as relações entre Moscou e Washington estejam no seu pior momento desde a Guerra Fria, a chegada de Biden ao poder poderia aumentar ainda mais a tensão entre o Kremlin e a Casa Branca./EFE e AFP  

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