EFE/Mikhail Klimentyev / Sputnik
EFE/Mikhail Klimentyev / Sputnik

Putin e Obama discutem conflitos na Síria e na Ucrânia à margem da COP-21

Na reunião a portas fechadas de cerca de 30 minutos, líderes se mostraram favoráveis 'a solução política' para guerra na Síria, mas mantiveram diferenças sobre o futuro de Bashar Assad

O Estado de S. Paulo

30 de novembro de 2015 | 16h41

PARIS - Os presidentes de Rússia e EUA, Vladimir Putin e Barack Obama, discutiram nesta segunda-feira, 30, em Bourget, perto de Paris, à margem da 21ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-21) os conflitos na Síria e na Ucrânia, expressando-se em favor de acordos políticos, mas sem superar suas diferenças.

A reunião, que durou cerca de meia hora, foi realizada "a portas fechadas", segundo uma declaração da presidência russa. Os dois presidentes "manifestaram-se a favor de uma solução política" para a guerra na Síria, explicou, por sua vez, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pela agência de notícias Interfax.

Eles discutiram "a necessidade de progressos no processo de Viena", confirmou um funcionário da Casa Branca.

A comunidade internacional fez renascer o espectro de uma solução política na Síria, com duas reuniões internacionais em Viena, em outubro e novembro, e um roteiro conduzindo a eleições dentro de 18 meses.

No entanto, Moscou e Washington seguem divergindo sobre o destino do presidente sírio, Bashar Assad, apoiado pela Rússia, enquanto os Estados Unidos querem sua partida.

Nesta segunda-feira, "o presidente Obama reiterou sua convicção de que a saída de Bashar Assad é necessária, e salientou a importância de concentrar os esforços militares contra o grupo Estado Islâmico (EI), em vez da oposição moderada", indicou uma fonte na Casa Branca.

À frente de uma coalizão internacional, os Estados Unidos bombardeiam há mais de um ano o EI no Iraque e na Síria. Desde setembro, a Rússia também realiza incursões na Síria, mas é acusada de alvejar principalmente grupos de oposição moderados, que combatem Assad.

Além disso, os presidentes americano e russo "também falaram sobre a Ucrânia e observaram a necessidade de implementar o mais rapidamente possível os acordos de Minsk", indicou o porta-voz do Kremlin. Estes acordos visam acabar com um conflito entre rebeldes pró-russos e o exército ucraniano, que deixou mais de 8.000 mortos no leste da Ucrânia desde abril de 2014.

Este conflito levou a Rússia ao isolamento, uma vez que Moscou é acusado de enviar tropas e armas para apoiar os rebeldes. Neste contexto, Moscou enfrenta pesadas sanções ocidentais. Durante a reunião, o presidente Obama reiterou a Putin que se a Rússia cumprir todos os termos do Acordo de Minsk, "as sanções poderiam ser levantadas", de acordo com a fonte na Casa Branca.

Finalmente, o presidente Obama expressou "pesar" depois da morte de um piloto russo, cujo avião foi abatido pela Turquia em sua fronteira com a Síria, e reiterou seus apelos para Ancara e Moscou reduzirem as tensões, segundo a fonte.

Erdogan. Mais cedo, o Kremlin informou que o presidente russo, Vladimir Putin, não deve se reunir com seu colega turco Recep Tayyip Erdogan à margem da cúpula sobre o clima em Paris, apesar de o dirigente turco ter pedido um encontro "cara a cara" com o chefe de Estado russo.

Na sexta-feira, Erdogan afirmou que não aceitava as críticas de Putin em relação ao fato de a Turquia ter abatido um avião militar russo na fronteira síria. Erdogan afirmou que para falar sobre a crise entre os dois países era preciso ver Putin cara a cara, quando se encontrassem em Paris na Conferência do Clima.

"Gostaria de encontrar o sr. Putin na segunda-feira cara a cara em Paris para conversarmos", declarou Erdogan. "Eu gostaria que este problema não prejudicasse nossas relações."

Mas Erdogan também acusou Putin de usar avião abatido como desculpa para prosseguir com seu objetivo de reforçar o regime sírio de Bashar Assad. / AFP, REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.