Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Putin e Orbán influenciaram opinião de Trump sobre Ucrânia, diz jornal

Funcionários e ex-funcionários dos EUA ouvidos pelo 'Washington Post' afirmaram que presidente russo e primeiro-ministro da Hungria reforçaram percepção do republicano de que a Ucrânia seria um país corrupto

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 16h59

WASHINGTON - Funcionários e ex-funcionários do governo dos Estados Unidos ouvidos pelo The Washington Post afirmaram que a opinião do presidente americano sobre a Ucrânia foi influenciada pelo presidente russo, Vladimir Putin, e pelo premiê húngaro, Viktor Orbán.

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As conversas de Trump com Putin e Orbán reforçaram sua percepção de que a Ucrânia seria um país irremediavelmente corrupto - um país que Trump agora parece acreditar ter tentando atrapalhá-lo nas eleições de 2016, disseram as fontes.

Nenhum desses líderes estrangeiros incentivou o presidente americano, no entanto, a tratar Kiev como uma fonte potencial de informações prejudiciais sobre o pré-candidato democrata Joe Biden, nem descreveram o país europeu como cúmplice de uma teoria infundada de conspiração eleitoral de 2016.

Mas suas descrições depreciativas sobre a Ucrânia reforçaram as percepções de Trump sobre o país. O papel desempenhado por Putin e Orbán foi descrito em depoimento a portas fechadas na semana passada por George Kent, vice-secretário de Estado adjunto, aos investigadores do impeachment da Câmara dos Deputados.

Kent citou a influência desses líderes como um fator que ajudou Trump a definir a forma como trataria o presidente ucraniano Volodmir Zelensky nos meses que antecederam o telefonema dos dois em 25 de julho - conversa que provocou uma queixa anônima de um funcionário da inteligência americana e deu origem ao inquérito de impeachment.

As autoridades americanas enfatizaram que, enquanto Putin e Orbán falaram mal da Ucrânia, mas que a decisão de Trump de buscar material prejudicial de Biden foi uma iniciativa do próprio presidente americano, impulsionada pelas teorias da conspiração sobre Kiev promovidas por seu advogado pessoal, Rudolph Giuliani.

Os funcionários do governo americano foram ouvidos pelo jornal americano sob condição de anonimato em razão da sensibilidade das discussões internas na Casa Branca e do inquérito de impeachment em andamento na Câmara. A Casa Branca não respondeu aos pedidos de comentários.

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Funcionários da embaixada húngara em Washington não responderam aos questionamentos sobre a visita de Orbán à Casa Branca. Depois que o Washington Post publicou a reportagem, um porta-voz do governo húngaro a ridicularizou em uma série de tuítes.

"(Trata-se de um texto) típico da fábrica de notícias falsas”, escreveu, acrescentando ser “absurdo acreditar que o primeiro-ministro (Viktor) Orbán teria esse tipo de 'influência' nas decisões do EUA". / THE WASHINGTON POST

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