Anatoly Maltsev/Reuters
Anatoly Maltsev/Reuters

Putin e Raúl ressaltam aliança estratégica entre Cuba e Rússia

Presidentes se reuniram antes das celebrações pelo 70.º aniversário da 2.ª Guerra e destacaram acordos feitos entre os dois países 

O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2015 | 18h01


MOSCOU - Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e de Cuba, Raúl Castro, disseram nesta quinta-feira no Kremlin querer manter e desenvolver a aliança estratégica entre os dois países, que agora tem como pano de fundo o processo de retomada das relações da ilha com os Estados Unidos.

"Não preciso descrever a qualidade das relações russo-cubanas, têm uma longa história, e, além disso, celebramos o 55.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas. Estamos muito contentes por vê-lo, seja bem-vindo", disse Putin a Raúl ao começar a reunião.

Os líderes se cumprimentaram calorosamente e se abraçaram diante dos jornalistas antes de se dirigir à reunião, acompanhados de suas respectivas delegações e, mais tarde, a sós.

O líder cubano, o primeiro dos visitantes internacionais a chegar a Moscou para participar das celebrações do 70.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, agradeceu a Putin pelo convite. "Eu não podia faltar a essa festa", disse Raúl, após referir-se à "grande vitória dos povos da antiga União Soviética" sobre os nazistas.

Raúl também destacou os importantes acordos no plano econômico alcançados durante a visita que Putin fez a Cuba em julho do ano passado, que agora pretendem botar em prática. Na quarta-feira, primeiro dia de estadia em Moscou, o líder cubano falou com o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, em um encontro centrado na cooperação econômica.

Nem Putin nem Raúl fizeram mais declarações após a reunião, mas os analistas consideram que o principal objetivo do líder cubano seja convencer Moscou que, apesar da aproximação entre Washington e Havana, Cuba continuará sendo um parceiro estratégico.

"Raúl Castro veio para pôr os pingos nos 'is' e comunicar claramente aos dirigentes russos que, apesar da importância e da necessidade de desenvolver a colaboração com os EUA, Cuba segue plenamente interessada em desenvolver a cooperação com a Rússia", disse o diretor do Centro de Estudos Políticos do Instituto da Academia de Ciências da Rússia, Boris Shmeliov.

Havana precisa de investimentos para tirar sua economia do ponto morto em que se encontra e nesse sentido ganham força os projetos em âmbitos como o da energia e de infraestruturas que se quer desenvolver com a ajuda de Moscou.

Além disso, segundo Shmeliov, Raúl buscaria obter uma espécie de garantia de segurança por parte da Rússia para o caso que de chegar à presidência dos EUA um líder mais duro que Barack Obama em política externa, que mude a postura em relação a Cuba.

As relações russo-cubanas, que esfriaram após a desintegração da URSS em 1991, foram impulsionadas de novo uma década depois. No ano passado, por exemplo, a Rússia cancelou 90% da dívida contraída pela ilha perante Moscou durante a época soviética, de US$ 31 bilhões.

Raúl participará no sábado do desfile militar na Praça Vermelha para comemorar o 70.º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazista na 2.ª Guerra, junto a outros aliados da Rússia, como o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o da China, Xi Jinping.

A tradicional parada militar de 9 de maio será acompanhada por cerca de 30 chefes de Estado ou governo mundiais, mas nenhum líder ocidental, apesar dos convites feitos por Moscou, submetida a sanções por seu papel na crise da Ucrânia.

"A presença de Castro na parada demonstra que, apesar das tentativas dos EUA de normalizar as relações com Cuba, a prioridade estratégica para Havana continua sendo a Rússia", disse à Agência Efe Leonid Ivashov, antigo general soviético e chefe da Academia de Assuntos Geopolíticos da Rússia. /EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.