Pete Marovich/EFE
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Putin e Trump decidem lutar juntos contra o terrorismo na Síria

Em contato por telefone, presidentes de EUA e Rússia também concordaram em normalizar as relações bilaterais; em outra conversa, com a alemã Angela Merkel, presidente americano reconheceu importância da Otan

O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2017 | 21h41

MOSCOU - Os presidentes de Rússia, Vladimir Putin, e Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone neste sábado, 28, e decidiram coordenar a luta contra o Estado Islâmico (EI) e outros grupos terroristas na Síria, além de normalizar as relações bilaterais, informou o Kremlin.

"Os presidentes decidiram forjar uma autêntica coordenação entre russos e americanos com o objetivo de destruir o Estado Islâmico e outros grupos jihadistas na Síria", afirma o comunicado oficial sobre o primeiro contato direto entre ambos desde a posse de Trump.

Durante a conversa, que durou aproximadamente 45 minutos, Putin e Trump abordaram o conflito na Síria, onde vigora um cessar-fogo desde o dia 30 de dezembro, embora continue a luta contra os grupos terroristas.

Putin, que aproveitou para parabenizar Trump pela posse e o desejou sucesso no cargo, destacou que a Rússia "apoiou os EUA durante os últimos dois séculos, foi aliada em duas guerras mundiais e agora vê os EUA como principal parceiro na luta contra o terrorismo internacional".

Segundo o Kremlin, também foram abordados outros conflitos como o árabe-israelense, as crises nucleares iraniana e coreana, o conflito na Ucrânia e outros aspectos no âmbito da não proliferação nuclear e da estabilidade estratégica. "(Putin e Trump) decidiram cooperar como parceiros nestes e em outros âmbitos", destacou a nota.

Trump destacou que o povo americano sente simpatia em relação aos russos, e Putin respondeu que esse sentimento de apreço é mútuo. Além disso, o líder russo e o novo chefe da Casa Branca decidiram manter contatos de maneira regular e estudar uma possível data e sede para uma primeira reunião.

Putin e Trump só tinham se falado uma vez até então, quando o líder russo ligou para o americano para dar os parabéns pela vitória nas eleições presidenciais de 20 de novembro do ano passado.

Alemanha. Em contato também por telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel, Trump concordou sobre a "importância fundamental" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para as relações transatlânticas.

Trump, que chegou a considerar a Otan "obsoleta", e Merkel entraram em consenso sobre "a importância fundamental da aliança para uma relação transatlântica mais ampla e seu papel em garantir a paz e a estabilidade na comunidade do Atlântico Norte", informou a Casa Branca em comunicado.

"Os líderes reconheceram que a Otan deve ser capaz de confrontar as ameaças do século 21 e a segurança comum requer investimentos apropriados em capacidades militares para garantir que todos os aliados forneçam sua parte equitativa para a segurança coletiva", afirma a nota oficial.

Trump e Merkel também concordaram sobre "a necessidade de fortalecer a já robusta cooperação na luta contra o terrorismo e o extremismo, e de trabalhar para estabilizar áreas de conflito no Oriente Médio e no norte da África".

O presidente americano e a chanceler alemã conversaram sobre "Rússia e a crise na Ucrânia", além da "importância da estreita cooperação alemã-americana" para a paz e segurança de ambos os países.

Por último, Trump aceitou o convite de Merkel para comparecer em julho à cúpula do G-20 (grupo de países desenvolvidos e emergentes) que será realizada na cidade alemã de Hamburgo. A primeira conversa oficial entre Trump e Merkel desde que o magnata tomou posse, no último dia 20, durou "45 minutos", de acordo com o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.

Esse diálogo faz parte de uma rodada de reuniões por telefone de Trump com vários líderes neste sábado, entre eles os de França, François Hollande; Japão, Shinzo Abe; e da Austrália, Malcolm Turnbull. / EFE

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