Putin está disposto a normalizar relações com a Geórgia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sedisse nesta quarta-feira disposto a normalizar as relações com a Geórgia, aoreiterar sua preocupação com "evitar o derramamento de sangue" nasregiões separatistas georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul. Perguntado sobre o conflito russo-georgiano em entrevista na qualos russos podem fazer perguntas ao vivo para o presidente, Putinadmitiu que "o problema é muito grave". "A Rússia não deseja aumentar seu território à custa de ninguém,seu objetivo é evitar uma solução dos conflitos entre Geórgia, aAbkházia e Ossétia do Sul através de um banho de sangue", disse. Putin ressaltou que "em nenhum caso se pode permitir semelhantedesenvolvimento dos eventos". O presidente não mencionou o fato de que grande parte dapopulação da Abkházia e Ossétia do Sul, cujas autoridades declararamo desejo de se incorporar à Federação da Rússia, já recebeupassaportes russos. Ao mesmo tempo, disse que Moscou "acompanhará com atenção como acomunidade internacional soluciona semelhantes conflitos fora doespaço pós-soviético, incluindo o eventual precedente do Kosovo". Putin já tinha dito em ocasiões anteriores que considerará comoprecedente jurídico internacional para os conflitos separatistas noespaço da antiga URSS o reconhecimento da independência do Kosovopela comunidade internacional. Referindo-se às campanhas maciças contra os imigrantes de origemgeorgiana e as supostas máfias georgianas na Rússia, o presidenterusso admitiu que houve "excessos". "Eu, certamente, não posso apoiar ações seletivas por motivosétnicos", afirmou. Putin pediu "às forças de segurança e aosorganismos administrativos que se abstenham de semelhantes ações",que qualificou de "inadmissíveis". As forças de segurança devem combater a "delinqüência étnica",mas nesta luta "não deve haver seletividade étnica alguma",Ressaltou. Quanto às deportações de imigrantes ilegais, Putin afirmou que onúmero de georgianos deportados, 5 mil, é inferior ao de cidadãos dealgumas outras repúblicas ex-soviéticas que não identificou. Putin lembrou, ao mesmo tempo, a "grande, às vezes até mesmoinapreciável contribuição militar, científica e cultural" que o povogeorgiano fez à "consolidação do Estado russo". O presidente também ressaltou a incorporação "voluntária" daGeórgia ao Império Russo, lembrando que, na época, "a Abkházia e a Ossétia do Sul não faziam parte da Geórgia". "Estamos dispostos a que as relações com um povo tão próximovoltem à normalidade", assegurou.

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