Putin está preso a velhos estereótipos, diz presidente

O presidente dos EUA, Barack Obama, culpou ontem a linha política seguida por seu colega russo, Vladimir Putin, pelo cancelamento de sua visita a Moscou, dia 4 de setembro. A decisão foi classificada pela Casa Branca como uma "pausa" na relação entre os dois países. Putin, segundo Obama, está preso a "velhos estereótipos" antiamericanos e agiu como "o garoto entediado do fundo da classe" em encontros bilaterais anteriores.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2013 | 02h04

Segundo Obama, os EUA não irão além do cancelamento da visita. Não haverá boicote aos Jogos Olímpicos de inverno, na Rússia, apesar das leis contra homossexuais adotadas pelo país.

"Nós vimos uma retórica do lado da Rússia que era antiamericana, que jogava com velhos estereótipos. Eu encorajei Putin a pensar para frente sobre essas questões, em oposição ao passado", afirmou Obama.

O presidente disse que não tem uma "relação pessoal ruim" com Putin. Disse que ambos conversam de forma "franca", apesar da linguagem corporal de Putin.

Ao comentar os avanços na agenda bilateral, ele se lembrou do ex-presidente russo Dmitri Medvedev, com quem teve uma boa relação, chegando a firmar um tratado de redução de armas nucleares, engavetado por Putin, que reassumiu o poder em maio de 2012. "Ele tem aquele jeito desleixado, como o de um garoto entediado no fundo da classe", disse Obama sobre Putin.

Diplomacia. As declarações de Obama emitiram sinais confusos sobre a relação dos EUA com a Rússia. Horas antes, os ministros russos da Defesa, Sergei Shoygu, e das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, haviam se reunido em Washington com os secretários de Defesa, Chuck Hagel, e de Estado, John Kerry, para tratar de temas críticos.

Além do conflito sírio, estavam na pauta o projeto de construção de um sistema de defesa antimíssil na Europa, as ameaças nucleares do Irã e da Coreia do Norte e a retirada das tropas do Afeganistão.

Na prática, o diálogo bilateral continua em curso até mesmo nos tópicos mais sensíveis para os dois lados. Como disse Lavrov, o encontro de ontem permitiu "criar um sólido alicerce para o trabalho futuro" dos dois países.

"A relação entre os EUA e a Rússia é muito importante e está marcada por interesses de ambos os lados e, algumas vezes, por interesses conflitantes", afirmou Kerry. "Sergei Lavrov e eu somos como velhos jogadores de hóquei. Sabemos que na diplomacia, assim como no hóquei, algumas vezes há colisões ocasionais." / D.C.M.

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