EFE/Sergei Ilnitsky
EFE/Sergei Ilnitsky

Putin exibe armas e provoca Ucrânia no desfile da Vitória em Moscou

Líder russo declarou cooperar com aqueles que combatam 'o terrorismo, o neonazismo, e o extremismo'

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 16h15

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, se comprometeu nesta quinta-feira, 9, a garantir o poder militar russo por ocasião do 74º aniversário da vitória da União Soviética contra a Alemanha nazista. Putin falou diante de milhares de soldados e ex-combatentes na Praça Vermelha, em Moscou, antes do desfile tradicional, em que novos equipamentos militares foram apresentados.  Na Ucrânia, celebrações semelhantes foram realizadas, e o líder russo fez críticas indiretas ao país.

"As lições da última guerra são válidas mais uma vez. Nós fizemos e faremos todo o necessário para garantir as capacidades de nossas forças armadas", disse Putin. A URSS perdeu mais de 27 milhões de pessoas durante a 2ª Guerra. A vitória de 1945 foi elevada a um mito fundador do patriotismo e grandeza russos.  

Sobre o presente, o líder declarou: “Rússia está aberta para cooperar com todos aqueles que estejam dispostos a se comprometer em combater o terrorismo, o neonazismo, e o extremismo.” Putin indicou que os desfiles e marchas não buscam ostentar armar ou assustar ninguém, mas que o ocorrido na Segunda Guerra não se repita jamais “na história da humanidade.” 

A comemoração, cada vez mais importante sob Putin, com seus dois feriados, ocorre este ano em um contexto de fortes tensões com o Ocidente e temores de uma nova corrida armamentista russo-americana. A tradição de celebrar o Dia da Vitória, como é conhecido na Rússia o episódio, foi suspensa em 1991, ano em que se desintegrou a URSS, e a prática foi retomada pela Federação Russa em 1996. Em 2008, já sob influência de Putin, o costume de se exibir misseis e armamento pesado também foi recuperado. 

Moscou também anunciou que pretende reforçar sua presença militar no Ártico, uma região estratégica rica em recursos naturais. Desfiles militares ocorreram em outras cidades em todo o país. A televisão pública transmitiu um desfile na autoproclamada república de Lugansk. 

Esta região é um dos dois territórios no leste da Ucrânia que escapou do controle de Kiev desde o início do conflito em 2014 com os separatistas pró-russos que são apoiados, segundo o governo ucraniano e os países ocidentais, pela Rússia. Este conflito causou mais de 13 mil mortes em cinco anos. 

A questão no leste da Ucrânia é o motivo que levou o Kremlin a adiantar a informação de que nenhum mandatário ocidental estaria presente na cerimônia. O evento é boicotado pelos Estados Unidos e a União Europeia desde a anexação russa da Crimeia em 2014. Na região, comemorações semelhantes ocorreram no porto de Sebastopol. 

Putin considerou “inadmissível” que alguns países tergiversem o ocorrido na guerra e convertam em “ídolos” os que “serviram ao nazismo”. Sem mencioná-la, o chefe do Kremlin se referia à Ucrânia, onde o líder nacionalista Stepán Bandera, acusado por Moscou de ser um colaborador nazista, é glorificado por parte da população e seu nascimento é festa nacional desde o começo do ano. 

O único líder internacional presente foi o presidente do Cazaquistão, Nursultán Nazarbáyev. Para o próximo ano, o Kremlin espera maior presença estrangeira no desfile, em ocasião dos 75 anos da derrota nazista. /EFE e AFP 

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