Putin faz discurso sobre crise ucraniana em tom mais conciliatório

Presidente diz que a Rússia tem o direito de se defender, mas fará isso sem confrontar o resto do mundo

O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2014 | 15h13

YALTA - O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira, 14, que seu país vai se defender, mas não à custa de confronto com o mundo, assumindo um tom conciliatório após meses de dura retórica sobre a crise na Ucrânia.

Putin estava falando com ministros russos e membros do parlamento na Crimeia, região ucraniana anexada pela Rússia este ano.

"Nós calmamente devemos, com dignidade e eficácia, defender o nosso país e não cercá-lo do mundo exterior", disse Putin. "Precisamos nos consolidar e mobilizar, mas não para a guerra ou qualquer tipo de confronto, para o trabalho duro em nome da Rússia."

Putin realizou um discurso mais discreto, sem as farpas que dirigiu a países ocidentais durante a crise, que arrasta as relações Leste-Oeste para seu ponto mais baixo desde a Guerra Fria.

O presidente russo também disse que Moscou faria tudo ao seu alcance para acabar com o conflito na Ucrânia o mais rápido possível e parar com o derramamento de sangue. Explicando seus pensamentos sobre a doutrina de política externa da Rússia, ele disse que deveria ser amante da paz.

"Todos os nossos parceiros em todo o mundo devem entender que a Rússia, como qualquer outro poderoso grande Estado soberano, tem várias formas e meios de assegurar seus interesses nacionais, e esses incluem as Forças Armadas", afirmou Putin.

Críticos do líder russo dizem que ele já havia feito comentários pacifistas antes, mas que não foram acompanhados por ações efetivas. / REUTERS

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