Alexander NEMENOV / AFP
Alexander NEMENOV / AFP

Putin usa ataque a sauditas para fazer propaganda de armas russas

'Liderança saudita precisa começar a tomar decisões de Estado mais sábias', ironiza líder russo ao criticar armas americanas

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2019 | 16h11

MOSCOU -  O governo da Rússia aproveitou o ataque da semana passada a instalações petrolíferas da Arábia Saudita para ironizar a qualidade dos armamentos americanos - que custaram aos sauditas bilhões de dólares - e fazer propaganda do sistema antimísseis S-400, um das joias da indústria bélica russa.

“Lembramos de quando os fantásticos mísseis americanos fracassaram em atingir seus alvos na Síria, mais de um ano atrás, e agora vemos o brilhante sistema de defesa aérea não conseguir repelir um ataque”, disse a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova.

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Em visita a Ancara, na Turquia, o presidente russo, Vladimir Putin, foi além e adotou uma “conversa de vendedor”. Segundo ele, se os sauditas tivessem comprado o sistema de defesa aéreo russo, o ataque não teria acontecido.

“A liderança saudita precisa começar a tomar decisões de Estado mais sábias”, ironizou o presidente, ao lembrar que o governo da Turquia, país-membro da Otan, comprou o sistema S-400.

Rivalidade e disputa por mercado entre EUA e Rússia

A rivalidade entre americanos e russos no mercado de armas vem desde a Guerra Fria. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês), entre 2014 e 2018, os dois países lideraram a exportação de armas no mundo. 

Nos últimos anos, a rivalidade tornou-se mais amarga em razão de tensões geopolíticas, na Síria e na Ucrânia, e do desenvolvimento de armas com novas tecnologias.  No Oriente Médio, onde as tensões e conflitos cresceram desde a Primavera Árabe, as duas potências competem pelos mesmos clientes.

Apesar de os EUA alardearem que suas armas são melhores, alguns sistemas russos estão desafiando essa afirmação. O principal deles é o S-400, que disputa mercado com o Patriot, usado na Arábia Saudita.

No ataque da semana passada, os sistemas de defesa aéreo sauditas não conseguiram detectar um ataque de drones e mísseis contra as refinarias de Khurais e de Abqaiq.

Patriot americano x S-400 russo

Como o Patriot foi desenhado para neutralizar mísseis balísticos e caças que voam a grande altitudes, os drones, que circulam bem mais próximos do solo, dificilmente são detectados.

Já o S-400 russo usa radares móveis para superar esse problema. Além disso, enquanto o Patriot é limitado para atuar apenas em uma direção, o S-400 funciona em 360º. 

Na semana passada, o ataque só poderia ter sido evitado se a bateria antiaérea americana estivesse virada para a direção da qual vieram os drones.

“Esse ataque mostra como a capacidade de girar 360º numa bateria antiaérea é imperativa”, afirmou Tom Karako, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

O ponto fraco do S-400, no entanto, é sua falta de experiência em combate, uma vez que o Patriot já foi testado na Guerra do Golfo e na invasão do Iraque.

Alguns especialistas ressaltam também que a falta de transparência da Rússia quanto a falhas em seus equipamentos é um ponto a ser levado em consideração. Nos últimos meses, foram registrados ao menos dois acidentes no país, um deles envolvendo um submarino nuclear.

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Apesar da rivalidade, a disputa tem sido mais comercial e política do que militar. Moscou tem oferecido o S-400 a tradicionais clientes americanos, como Índia e Catar, a preços promocionais.

A decisão da Turquia de comprar a bateria antiaérea russa fez os EUA suspenderem a venda de caças F-35 para a Força Aérea turca, temendo espionagem militar e industrial. / WASHINGTON POST

 

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