Putin firma lei proibindo adoção de russos por americanos

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, cumpriu a ameaça feita promulgou ontem a lei que proíbe a adoção de crianças russas por cidadãos americanos. A medida é considerada uma das mais hostis adotadas por Moscou contra os EUA desde o fim da Guerra Fria. O texto foi aprovado pelo Parlamento russo em resposta à "lista Magnitski", uma lei adotada pelo Congresso americano e promulgada este mês pelo presidente Barack Obama.

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2012 | 02h05

A lei americana proíbe o ingresso nos EUA de dirigentes russos supostamente envolvidos na morte, durante sua detenção em 2009, do jurista Serguei Magnitski ou em outras violações dos direitos humanos.

Os EUA deploraram a adoção da medida por meio de um comunicado do porta-voz do Departamento de Estado, Patrick Ventrell. "Lamentamos profundamente a aprovação de uma lei que acaba com as adoções entre os EUA e a Rússia", disse Ventrell. Ele acusou Moscou de ter adotado a medida por motivação política.

A nova lei russa leva o nome de Dima Iakovlev, um menino russo adotado nos EUA em 2008, que morreu depois que seu pai adotivo o esqueceu em um automóvel quando fazia muito calor.

Os dois países tinham negociado um novo acordo para adoções, firmado em 2011, para entrar em vigor em novembro passado a fim de endurecer o controle, depois de vários casos de abusos cometidos por famílias americanas contra seus filhos russos adotados.

Casos como o de uma mulher do Tennessee, que enviou de volta à Rússia seu filho adotivo de 7 anos sozinho em um avião com uma nota dizendo que ele era violento e não queria continuar criando o menino, haviam provocado protestos.

O número de adoções nos EUA de crianças russas tinha caído nos últimos anos, até chegar a 962 crianças adotadas em 2011, após o recorde de 5. 862 em 2004, segundo dados oficiais. A lei promulgada por Putin ontem também prevê uma lista de americanos indesejáveis na Rússia por terem violado os direitos de cidadãos russos. / AFP

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