Putin impõe regras para Snowden ficar na Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira que Edward Snowden terá de parar de divulgar segredos norte-americanos se quiser conseguir asilo em seu país, mas acrescentou que o ex-funcionário da CIA e de uma empresa que presta serviços para o governo dos Estados Unidos não tem planos de fazer isso.

Agência Estado

01 de julho de 2013 | 15h05

O presidente Barack Obama disse que tem realizado discussões de alto nível entre Estados Unidos e Rússia a respeito a extradição de Snowden, mas Putin reiterou que não tem intenção de mandar Snowden de volta para o território norte-americano e afirmou que Snowden não é um agente russo e que agências de segurança da Rússia não entraram em contato com ele.

Falando durante uma coletiva de imprensa, Putin disse que Snowden se considera um ativista, um "novo dissidente" e o comparou a Andrei Sakharov, físico nuclear russo que defendia as liberdades civis e ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1975.

Snowden está num limbo legal na zona de trânsito do aeroporto Sheremetyevo, em Moscou, desde que chegou ao local de Hong Kong, em 23 de junho. Os Estados Unidos invalidaram seu passaporte e o Equador, país onde ele esperava conseguir asilo, tem sido relutante em tomar uma atitude.

As declarações dos dois presidentes foram feitas no momento em que o governo Obama enfrenta problemas com seus principais aliados por causa dos programas de vigilância, já que instalaram dispositivos secretos de escuta em escritórios da União Europeia (UE). As reclamações tiveram início no sábado, quando a revista alemã Der Spiegel que a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos grampeou diplomatas de países amigos em escritórios da UE em Washington, Nova York e Bruxelas.

As informações foram em parte baseadas em uma série de revelações sobre o programa de escutas norte-americanos divulgados por Snowden.

Até então, muitos países europeus estavam calados a respeito das revelações sobre a grande rede de vigilância norte-americana, montada com o objetivo de evitar ataques terroristas, mas a reação às últimas informações indicam que os aliados de Washington não devem deixar o assunto morrer sem, pelo menos, uma forte demonstração de indignação.

Obama afirmou que todos os países do mundo que possuem serviços de inteligência tentam entender o que os demais países estão pensando. Ele afirmou que os Estados Unidos continuam a avaliar a matéria da Spiegel, acrescentando que seu país vai fornecer todas as informações que seus aliados europeus pedirem. Fonte: Associated Press.

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