Putin inicia visita histórica à Arábia Saudita

O presidente Vladimir Putin chegou neste domingo à Arábia Saudita, dando início à primeira visita de um líder russo àquele país. Moscou tenta restaurar os velhos laços soviéticos com os países do Oriente Médio. A Rússia está de olho no processo de paz do Oriente Médio, assim como em oportunidades de negócios: quer conquistar um lugar para seus fabricantes de armamentos no mercado saudita e explorar impasses no setor de energia, apesar de a Rússia negar ter planos de aderir a uma "Opep do gás." O rei Abdullah recebeu Putin, que no sábado atacou duramente os EUA por alimentar uma nova corrida armamentista, com o tapete vermelho e, segundo foi divulgado neste domingo, exortou Moscou a contribuir para reviver o processo de paz árabe-israelense. "Não há dúvida de que a Rússia tem um papel importante na obtenção da paz", disse o rei em entrevista à agência de notícias russa Itar-Tass, publicada pela imprensa saudita. "Temos que imaginar o mundo com uma solução justa, ampla e duradoura para esse conflito." Moscou quer um papel diplomático maior nos pontos de tensão no Oriente Médio: Irã, Iraque e o conflito israelense-palestino. Putin também vai visitar o Qatar e a Jordânia em sua viagem à região. O líder russo diz que o domínio dos EUA no mundo pós-Guerra Fria não tornou o mundo um lugar mais seguro e que a ordem mundial precisa ser revista de forma a levar em conta novos centros de poder como China, Índia e Rússia. Paz no Oriente Médio A Rússia é uma partes do "quarteto" que patrocina a busca pela paz entre árabes e israelenses, junto com os Estados Unidos, a União Européia e as Nações Unidas. "Esperamos que o atual esforço do quarteto tenha sucesso em reviver o processo de paz e se concentre em resolver as principais questões que estão nas suas raízes, depois do fracasso das soluções parciais em alcançar o progresso necessário", disse o rei. Na semana passada, a Arábia Saudita intermediou um acordo entre o grupo islâmico palestino Hamas e a facção Fatah, a que pertence o presidente palestino Mahmoud Abbas e que tem o apoio dos EUA, pondo fim a meses de combates entre facções e preparando o terreno para a formação de um governo de unidade nacional. O rei Abdullah disse ter esperança de que a visita de Putin aprofunde a cooperação no petróleo, em investimentos e em transporte aéreo, mas não deu mais detalhes. Riad e Moscou estabeleceram relações diplomáticas em 1926. Antes da visita ao Oriente Médio, Putin atacou os Estados Unidos, afirmando que Washington está tornando o mundo mais perigoso ao adotar políticas cujo objetivo é fazer dos EUA "o único senhor." Essas afirmações coincidiram com desavenças entre a Rússia e os Estados Unidos quanto à guerra do Iraque, as ambições nucleares do Irã e da Coréia do Norte. A Rússia é a favor de um compromisso construtivo com o Irã, afirmando que a política de linha dura não impediu que a Coréia do Norte desenvolvesse armamentos nucleares. Moscou também quer o diálogo com o Irã e a Síria para ajudar a resolver o problema palestino e acredita as tentativas americanas de impor pela força a democracia ocidental em países como o Iraque estão fadadas ao fracasso.

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