Putin pede calma sobre caso da Yukos

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que a investigação criminal dos executivos e acionistas da Yukos, maior produtora de petróleo do país, não tem implicações sobre o processo de privatização realizado em 1990. Putin pediu calma sobre o assunto. "Eu acho necessário enfatizar que, em relação aos casos sob investigação, não se deve generalizar, fazer analogias e tomar o fato como precedente sobre os resultados da privatização", declarou Putin. O presidente russo, no entanto, negou-se a atender a um pedido da União dos Industriais e Empreendedores Russos, o principal lobby dos grupos empresariais do país, para discutir as conseqüências e ramificações da prisão. "Não haverá nenhum encontro e nenhuma barganha em relação aos esforços das agências regulatórias, uma vez que estas estão agindo dentro da lei", declarou. Khodorkovsky, de 40 anos, considerado o homem mais rico da Rússia, foi detido por homens das forças especiais portando armas, quando embarcava em seu avião na Sibéria, no sábado, com destino a Moscou. O executivo é acusado de evasão fiscal e fraudes corporativas, como conseqüência de uma investigação aberta pela Promotoria do país. Classificação de riscoA agência de classificação de risco Standard & Poor´s informou, esta manhã, que os ratings soberano e em escala nacional da Rússia, assim como a perspectiva para a OAO NK Yukos não serão alterados, como conseqüência da investigação fiscal e legal contra a companhia, seus principais acionistas e funcionários. Segundo a agência, os fatos envolvendo a empresa já estão refletidos nos ratings de operação na Rússia, onde as instituições políticas e legais são, normalmente, "pouco transparentes e imprevisíveis".Segundo analistas, a detenção de Khodorkovsky foi conseqüência de uma campanha liderada pelo Kremlin, com o objetivo de frear as suas ambições políticas. Com a ampliação das tensões sobre a Yukos, que começaram em meados desse ano, Khodorkovsky prometeu que não será expulso da Rússia, a exemplo do que ocorreu com os titãs Boris Berezovsky e Vladimir Gusinsky, que também alegaram terem sido vítimas de perseguição por parte do Kremlin. A Promotoria da Rússia acusa Khodorkovsky e outro executivo de provocarem prejuízos de US$ 1 bilhão e causarem danos ao estado russo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.