Putin pede investigação 'rápida' sobre queda de avião malaio na Ucrânia

Moscou nega envolvimento na tragédia, mas serviços de inteligência dos EUA dizem que míssil foi disparado por separatistas pró-Rússia 

O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2014 | 09h50

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira, 18, que a catástrofe do avião malaio que caiu na quinta no leste da Ucrânia requer uma investigação "exaustiva e objetiva". Putin afirmou estar em contato com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, e confiante em resolver a situação.

Autoridades americanas e ucranianas afirmam que a aeronave foi derrubada por um míssil.

Segundo o Kremlin, Putin afirmou que a queda do avião revela a necessidade de uma solução rápida para o conflito no leste ucraniano, onde tropas de Kiev combate separatistas pró-Rússia. "O chefe de Estado russo ressaltou que a tragédia ocorrida demonstra mais uma vez a necessidade para que se chegue, o mais rápido possível, a uma solução pacífica da grave crise na Ucrânia e destacou que é necessária uma investigação exaustiva e objetiva sobre as circunstâncias da catástrofe."

O presidente russo também expressou suas condolências ao primeiro-ministro da Holanda, já que a maior parte das 298 pessoas a bordo do avião da Malaysia Airlines que fazia a rota Amsterdã-Kuala Lampur era holandesa. A companhia aérea informou que haviam 283 passageiros e 15 tripulantes na aeronave.

Acusações. Nesta sexta, segundo a rede americana CNN, os serviços de inteligência dos EUA concluíram que a maior probabilidade é que o míssil terra-ar que derrubou o voo MH17 tenha sido disparado por separatistas pró-Rússia.

O líder separatista Alexandre Borodai, autodeclarado primeiro-ministro da República Autônoma de Donetsk, afirmou que os separatistas não foram responsáveis pela queda do avião porque não dispõem do armamento necessário para alcançar uma grande altitude. "Nossas armas não vão além de 4 mil metros, não temos (mísseis) Buk, nenhum."

Autoridades ucranianas afirmam que o armamento usado pelos rebeldes foi enviado pelos russos, mas o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, negou o envolvimento de seu país.

"No que se refere às declarações que se ouvem de Kiev acerca de que praticamente nós o fizemos (derrubar o avião), é preciso dizer que quase não escutei declarações verazes de Kiev nos últimos meses", disse Lavrov em entrevista ao canal russo Russia-24.

O procurador-geral da Ucrânia, Vitali Yarema, ressaltou que os separatistas não se apoderaram dos sistemas de defesa antiaérea Buk ucranianos.

"Depois que o avião foi derrubado, os militares informaram ao presidente (Poroshenko) que os terroristas não dispõem de nossos sistemas Buk e S300. Não se apoderaram dessas armas", disse Yarema ao site Ukrainskaya Pravda.

A principal razão para as autoridades ucranianas acreditarem que os separatistas derrubaram o avião é uma conversa entre rebeldes se vangloriando de terem abatido um avião no mesmo momento da queda do MH17.

A conversa foi divulgada em uma rede social russa que transmite comunicados do militante Igor Girkin. O post inicial dizia: "Nós avisamos para eles não voarem no nosso céu. E aqui está um vídeo de outro 'grande pássaro' caindo. O avião caiu atrás de montanhas, átreas residenciais não foram atingidas, pessoas inocentes não foram feridas."

Depois o post foi editado e dizia que o avião derrubado seria de transporte militar, um An-26. /AFP, EFE e REUTERS

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