Putin planeja seguir no poder como primeiro-ministro em 2008

Presidente russo qualifica de ?totalmente realista? a idéia de que ele se torne premiê após deixar o Kremlin

AFP, AP e REUTERS, O Estadao de S.Paulo

02 de outubro de 2007 | 00h00

Moscou - O presidente russo, Vladimir Putin, indicou ontem que poderia tornar-se primeiro-ministro após o fim de seu mandato, em 2008, fortalecendo os rumores de que permanecerá no poder. A estratégia ficou clara depois que Putin foi escolhido ontem para liderar a lista de candidatos do partido governista Rússia Unida nas eleições parlamentares de dezembro. Como deputado eleito, poderá se candidatar ao cargo de primeiro-ministro. "A possibilidade é totalmente realista, mas ainda é cedo para discutir o assunto", desconversou Putin.Desde que confirmou que não disputará um terceiro mandato - proibido pela Constituição russa -, a sucessão do presidente passou a ser um dos principais assuntos no país. Até recentemente, os vice-primeiros-ministros Dmitri Medvedev e Serguei Lavrov eram apontados como os prováveis candidatos. Mas a nomeação, em setembro, do desconhecido Viktor Zubkov para o cargo de primeiro-ministro levou a novas especulações. Sem base política forte e aliado ferrenho do atual presidente, Zubkov é visto com um fantoche de Putin. Caso ele se torne presidente e Putin, o primeiro-ministro, Zubkov deve ceder uma série de poderes a seu premiê. Outra possibilidade é que Zubkov renuncie após um período no cargo, permitindo que Putin retome o poder, uma vez que o primeiro-ministro é quem substitui o presidente na Rússia.Qualquer que seja o cenário, o anúncio de Putin surpreendeu os analistas. "Podemos esquecer o antigo clichê de que o presidente é o czar da Rússia. O cargo de premiê é a solução mais lógica para o que Putin fará quando deixar o poder", afirmou o cientista político Gleb Pavlovski.Em meio às articulações políticas do governo, o bloco opositor Outra Rússia nomeou no domingo Garry Kasparov, ex-campeão mundial de xadrez, como seu candidato presidencial. Um dos principais críticos do Kremlin, Kasparov tem poucas chances de disputar a eleição presidencial de março, uma vez que nenhum dos partidos que fazem parte do bloco - que inclui esquerdistas, nacionalistas e liberais - obteve registro da Justiça eleitoral russa para participar das eleições parlamentares. Mesmo que seu bloco consiga o registro, Kasparov não deve ter votação suficiente para ameaçar o candidato do Kremlin. As eleições de dezembro também contarão com a participação de Andrei Lugovoi, ex-espião da KGB acusado pela Grã-Bretanha pelo assassinato do também ex-agente Alexander Litvinenko, em Londres, em 2006. Lugovoi, que nega as acusações, foi escolhido como segundo candidato principal do Partido Liberal Democrata. Logo após sua escolha, o apoio ao partido subiu de 7% para 11%.

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