Ria Novosti/Reuters
Ria Novosti/Reuters

Putin proíbe divulgação de baixas no Exército em tempos de paz

Decreto do Kremlin é publicado após  Washington acusar o governo de Moscou de intensificar a sua  presença militar no leste da Ucrânia

O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2015 | 16h37

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou nesta quinta-feira, 28, um decreto que classifica como segredo de Estado todas as baixas do Exército russo durante operações especiais em tempos de paz. Em abril, um mês antes da mudança na legislação, os Estados Unidos haviam acusado a Rússia de intensificar sua presença militar na Ucrânia.

Publicado no site do governo russo, o decreto altera uma legislação anterior que já classificava como secretas as baixas militares em períodos de guerra. Com a mudança, a divulgação de informações sobre mortes de militares russos em tempos de paz será punida com penas de até quatro anos de prisão.

O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, não explicou o porquê da publicação do decreto presidencial. Segundo o especialista militar Pavel Felgenhauer, há uma razão estratégica para a mudança. “O motivo pelo qual as baixas não devem ser publicadas é o Donbass”, afirmou, referindo-se à região do leste da Ucrânia onde os separatistas pró-Rússia e o Exército ucraniano se enfrentam há mais de um ano.

A presença de soldados russos no leste da Ucrânia é denunciada como ilegal por Kiev e vários países ocidentais, entre eles os Estados Unidos. Segundo essas alegações, o governo russo apoia militarmente os rebeldes pró-Rússia e mobiliza tropas na região. O Kremlin nega as acusações, admitindo apenas que apoia os anseios políticos dos separatistas e a presença de soldados voluntários no país vizinho.

Segundo relatório divulgado por um grupo de militantes opositores de Putin, pelo menos 220 soldados russos morreram durante operações militares no leste da Ucrânia entre o verão de 2014 e o início deste ano. As informações, publicadas na imprensa russa e internacional, dão conta de vários enterros secretos de militares russos que morreram na Ucrânia.

De acordo com Felgenhauer, o decreto de Putin busca “deter ou aterrorizar” aqueles que desejarem revelar informações sobre as supostas baixas do exército russo no país vizinho."Nunca vi nenhuma definição jurídica do conceito de operação especial. Isso significa que tudo pode ser designado como tal".

Os conflitos militares na Ucrânia começaram em abril de 2014, depois de os russos tomarem o controle da Crimeia, no sul do país, utilizando soldados sem uniformes do exército. Inicialmente, o Kremlin negou o envio de tropas. A admissão veio somente um mês após Vladimir Putin assinar uma lei formalizando a anexação da península ao território russo. Após um ano, o conflito já contabiliza 6.100 mortes.

Logística. Um relatório publicado nesta quinta-feira pelo Atlantic Council, centro de estudos de Washington, investiga a logística utilizada pela Rússia para viabilizar os combates em território ucraniano.

Baseado em informações de domínio público, como perfis de soldados russos em redes sociais e fotos geolocalizadas, o relatório detalha como os combatentes saem dos campos de treinamento, instalados do lado russo da fronteira, em direção a Donbass.

De acordo com os dados publicados pelo Atlantic Council, o Kremlin abastece os rebeldes russos com armamento pesado, como tanques de guerra e artilharia antiaérea, incluindo o modelo usado para abater um voo da Malaysia Airlines em julho de 2014./AFP e REUTERS


Tudo o que sabemos sobre:
RússiaVladimir PutinUcrânia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.