Putin quer atrair Brics e Unasul para ampliar influência regional

Proposta faz parte do esforço de Moscou para criar espaços de intercâmbio internacional que beneficiem aliados

Roberto Lameirinhas, Enviado Especial / Fortaleza

15 de julho de 2014 | 05h00

A proposta do presidente russo, Vladimir Putin, de integrar o bloco da União Econômica Eurasiática - que inclui, além da Rússia, o Casaquistão e a Bielo-Rússia - à União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e aproximá-lo do Brics é vista por diplomatas e analistas como mais um esforço de Moscou para criar espaços de intercâmbio internacional que beneficiem países de sua área de influência.

Na visão do Kremlin, segundo esses especialistas, a ação se tornou ainda mais necessária após a intensificação da crise na Ucrânia, em cujo pivô estava a assinatura de um acordo comercial com a União Europeia. O plano de Putin foi apresentado na segunda-feira, 14, na reunião bilateral que ele manteve em Brasília com a presidente Dilma Rousseff. Nesta terça, 15, eles estarão em Fortaleza para a reunião do Brics, bloco formado pelos dois países, além de Índia, China e África do Sul. “Em 2015, quando nosso acordo de união alfandegária com Bielo-Rússia e Casaquistão estiver vigorando, podemos analisar fórmulas de cooperação com os países da Unasul”, declarou Putin.

O líder russo evitou fazer qualquer menção à crise que envolve a Ucrânia e a anexação da Crimeia, mas destacou que Brasil e Rússia têm a mesma visão sobre várias questões globais. “Estamos unidos na abordagem dos problemas internacionais chave, nos quais reconhecemos o importante papel da ONU”, disse. 

“A proposta da Rússia deve dar o tom da reunião dos Brics e do encontro da China com os países latino-americanos (na quarta-feira, em Brasília)”, declarou, sob condição de manter-se anônimo, um diplomata brasileiro envolvido na preparação do encontro de Fortaleza. “Os parceiros vêm mais preocupados em usar o bloco como instrumento para aliviar as pressões de seus mercados internos e regionais, uma vez que essas pressões sempre têm potencial para converter-se em tensão política.”

China. Para o embaixador Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, é preciso lembrar que o Brics não são apenas um grupo de países emergentes, mas “um bloco que reúne líderes de países que lideram suas regiões”. 

“No caso da China, há uma visão estratégica muito clara do que Pequim pretende ao integrar o Brics. Nesse novo momento, a China busca com seus parceiros a formação de um sistema paralelo internacional, como uma alternativa ao FMI, uma alternativa ao Banco Mundial, enfim, uma alternativa de governança internacional.”

Amaral ressalta que essa nova onda chinesa de busca por novos mercados consumidores deve abrir mais oportunidades de integração e investimento para os brasileiros.

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