Putin 'quer limitar a união dos dissidentes', diz diretora da Freedom House

Para Susan Corke, reação ao julgamento das integrantes da Pussy Riot é sinal de que russos duvidam da legitimidade do presidente

Entrevista com

TALITA EREDIA, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h07

SÃO PAULO - Para a diretora do programa de Eurásia da Freedom House, Susan Corke, a reação ao julgamento das integrantes da banda Pussy Riot é um sinal de que os cidadãos duvidam da legitimidade do presidente Vladimir Putin. Os russos, segundo ela, estão mais dispostos a reagir a abusos estatais como o controle sobre a internet e a prisão frequente de opositores. Leia a seguir trechos da entrevista concedida ao Estado.

 

Estado: Como o sistema legal autoritário influencia a legitimidade de Putin?

Susan Corke: Nos últimos cem dias, vimos claramente que Putin pretende endurecer seu governo autoritário. Isso é um sinal de que ele entende a sua vulnerabilidade e admite que sua legitimidade perante a população russa diminuiu bastante. Assim, ele governará do único modo que conhece: ele quer restringir os caminhos que levam à união dos dissidentes. Seguindo os passos de Putin, a Duma (Parlamento russo) aprovou uma série de medidas repressivas, no estilo soviético, para ajudar um regime desesperado a manter-se no poder.

Estado: Quais serão os próximos passos do governo?

Susan Corke: Infelizmente, Putin sempre viu a oposição e os dissidentes como uma ameaça. Ele nunca quis transformar a Rússia num país liberal. Putin representa um desafio direto e agressivo para os que apoiam a proteção dos direitos democráticos. Acredito que só podemos esperar que seu governo mantenha a repressão.

Estado: Existe algum limite para o poder de Putin?

Susan Corke: Enquanto Putin quer isolar o país da influência do mundo, os russos tentam fazer parte dele. Milhares estão emigrando, preocupados com mais 6 ou 12 anos de governo Putin. Autoridades e pessoas da classe média estão comprando propriedades no Ocidente e mantendo seu dinheiro em bancos ocidentais, mais seguros. Autoridades russas estão petrificadas com a ameaça de que acusados de violação de direitos humanos tenham vistos negados e bens congelados. Até o chefe do Comitê Investigativo da Rússia comprou uma propriedade fora do país. Isso não é um forte voto de confiança no poder de Putin e na sua capacidade de guiar o país.

Estado: Que papel a sociedade russa pode ter nesse jogo político?

Susan Corke: A mentalidade do povo russo mudou. Acho que continuará a buscar um futuro melhor para o país. Quando os cidadãos têm queixas legítimas, quando as liberdades são negadas em nome da estabilidade, eles tentarão fazer com que suas vozes sejam ouvidas.

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