Putin quer ''vingança'' por ataque em terminal

''Retaliação é inevitável'', diz premiê russo; presidente critica segurança dos aeroportos e cobra organismo que combate terrorismo na Rússia

, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

MOSCOU

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, prometeu ontem vingança pelo atentado suicida que matou 35 pessoas no aeroporto internacional de Domodedovo, em Moscou, na segunda-feira. Criticando o "estado de anarquia" da segurança dos terminais aéreos da Rússia, o presidente Dmitri Medvedev declarou que funcionários do setor poderão ser responsabilizados por eventuais falhas. O ataque a bomba também deixou 180 feridos.

"Foi uma ação abominável, por sua crueldade e sua falta de senso. Não duvido que o crime será resolvido e a retaliação será inevitável", disse Putin em Moscou. A ministra da Saúde, Tatyana Golikova afirmou que 49 feridos estão internados em estado considerado grave.

Afirmando que os procedimentos de revista serão mais rigorosos nos terminais do país, Medvedev criticou as medidas de segurança das forças russas e dos administradores dos aeroportos. Ele pediu a demissão dos funcionários responsáveis por falhas que tenham favorecido o atentado. "Tudo deve ser feito para encontrar e levar os bandidos que cometeram esse crime à Justiça", disse aos comandantes do Serviço Federal de Segurança, organismo responsável pelo combate ao terrorismo na Rússia.

O presidente russo adiou sua viagem ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, onde deveria fazer o discurso de abertura. Ele recebeu um telefonema do presidente americano, Barack Obama, que apresentou suas condolências e "seu forte repúdio por esse ultrajante ataque contra civis inocentes".

Até ontem, nenhum grupo havia assumido a autoria do atentado. No entanto, as suspeitas recaem sobre separatistas islâmicos da Chechênia e outras localidades do norte do Cáucaso. As autoridades russas anunciaram na segunda-feira que buscam três suspeitos dessa região. Policiais disseram que a identificação do autor do atentado, cuja cabeça teria sido encontrada entre os destroços da explosão, só poderá ser feita com o auxílio de um teste de DNA. Também foi levantada a possibilidade de que dois homens-bomba teriam realizado o ataque.

O atentado demonstra uma falha na política do Kremlin em relação aos separatistas. Esta falta ameaça a Rússia de desestabilização política e incentiva respostas antidemocráticas do governo.

A escolha do desembarque internacional para o atentado sugere que a intenção é que o ataque repercutisse além da Rússia. Pelo menos oito estrangeiros morreram: dois britânicos, um alemão e cidadãos da Bulgária, Quirguistão, Tajiquistão, Usbequistão e Ucrânia. / AP e REUTERS

PARA LEMBRAR

Em 2004, duas mulheres-bomba da Chechênia subornaram um segurança do aeroporto internacional de Domodedovo, em Moscou, e embarcaram em dois aviões Tupolev. Ao detonar seus explosivos durante os voos, mataram 90 pessoas, entre passageiros e tripulantes.

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