Putin reafirma parceria com EUA mas rejeita críticas

O presidente russo Vladimir Putin disse nesta quinta-feira que a Rússia quer manter boas relações com os Estados Unidos, mas rejeitou as criticas recentes do vice-presidente americano, Dick Cheney. Segundo Cheney, Moscou estaria colocando obstáculos à democracia e usando suas reservas energéticas para chantagear seus vizinhos. "Nós vemos como os Estados Unidos defendem seus interesses, vemos que métodos eles utilizam para isso", afirmou Putin em uma coletiva de imprensa após o encontro entre a Rússia e a União Européia."Lutamos por nosso interesses e também procuramos usar métodos mais aceitáveis para alcançar nossas metas e acho estranho que isto pareça inexplicável para alguém", acrescentou Putin.Durante um discurso na Lituânia, no começo do mês, Cheney acusou o Kremlin de impedir a democracia e intimidar seus vizinhos ex-soviéticos. Mesmo antes do discurso de Cheney, as relações entre Moscou e Washington estavam estremecidas. No mês passado, Putin afirmou que os Estados Unidos colocam obstáculos à entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio, enquanto o Pentágono acusa Moscou de fornecer informações sobre as movimentações da tropas americanas no Iraque para Saddam Hussein antes do início da guerra, em 2003.A crise sobre o programa nuclear iraniano também é um ponto de atrito entre os dois países, que há alguns anos se definiam como "parceiros estratégicos".Putin disse que, apesar das diferenças, os EUA continuam sendo "um de seus principais parceiros". "Para nós, os EUA são parceiros importantes nas esferas econômicas, de desarmamento, não-proliferação de armas nucleares, e mísseis. Existem muitas outras esferas, incluindo a luta contra o terrorismo, nas quais a parceria com os EUA não pode ser substituída". Apesar do elogios, o presidente russo também sugeriu que nenhum nação tem o direito de interferir nas relações entre a Rússia e seus vizinhos. Em relação às críticas americanas sobre a negociação de parcerias na venda de gás entre a Rússia e a Ucrânia, que o governo americano considera injusta, Putin argumentou que a própria liderança ucraniana aprovou o acordo. Líderes da União Européia nesta quinta-feira pouparam a Rússia de criticas similares as de Cheney, mas enfatizaram a necessidade de Moscou aderir aos valores democráticos.

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