Putin renova compromisso de trégua

Sob ameaça de mais sanções dos EUA e da UE, líder russo telefona para presidente ucraniano e acena com manutenção da paz

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2014 | 02h03

Em meio à desconfiança americana e europeia, o presidente russo, Vladimir Putin, reiterou ontem ao líder ucraniano, Petro Poroshenko, que Moscou manterá até o fim seu compromisso com o processo de paz no leste da Ucrânia.

"O presidente Putin confirma o compromisso da Federação Russa de continuar a apoiar a resolução pacífica para a crise (na Ucrânia)", declarou o Kremlin em nota, após conversa por telefone entre os dois presidentes. Durante o telefonema, "a importância de manter firme um regime de cessar-fogo no sudeste da Ucrânia" foi reforçada, de acordo com a nota. Não ficou claro, no entanto, se essa posição foi expressada por ambos os presidentes.

Ao mesmo tempo, Washington anunciou que está dando os retoques finais nas possíveis novas sanções sobre os setores de defesa, energia e finanças da Rússia, caso a intervenção de Moscou na Ucrânia se mantenha, informou o Departamento de Estado. "Os EUA estão concluindo medidas para aprofundar e ampliar nossas sanções aos diferentes setores da economia da Rússia", disse a porta-voz do Departamento de Estado Marie Harf, em entrevista a jornalistas. Mas a aplicação das medidas não deve ser imediata. "Vamos tomar decisões com base no que estiver acontecendo no terreno nesses próximos dias", acrescentou.

Por seu lado, os países da União Europeia discutem hoje se implementam novas sanções contra a Rússia, informou a Comissão Europeia. Os governos da UE definiram novas medidas contra Moscou na segunda-feira, mas adiaram sua aplicação para ter tempo de avaliar se o cessar-fogo na Ucrânia, acertado na sexta-feira, está sendo mantido.

O pacote de sanções europeias inclui restrições de financiamento a bancos e petrolíferas estatais russas e ampliação da lista de indivíduos que não podem entrar na UE e terão seus bens congelados, além de novas limitações à venda de produtos que podem ser usados para fins civis e militares.

"O pacote foi definido, agora teremos uma nova reunião para avaliar o acordo de cessar-fogo e o plano de paz", disse a porta-voz da Comissão Europeia, Maja Kocijancic. "Vocês viram o que está acontecendo no território ucraniano, e também viram qual é a avaliação das autoridades locais. O cessar-fogo parece estar se mantendo, ainda que com alguns incidentes."

Avião abatido. Um relatório preliminar dos investigadores que analisam as razões da queda do voo MH17, da Malaysia Airlines, em 17 de julho, indica que o Boeing 777 sofreu o impacto de "objetos de alta energia" pouco antes de cair no leste da Ucrânia. O governo de Kiev acusa separatistas russos de terem abatido o avião com armamento antiaéreo fornecido por Moscou. Os rebeldes negam.

Segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, pelo menos quatro militares ucranianos foram mortos desde o começo do cessar-fogo, na sexta-feira, no leste da Ucrânia, de acordo com declarações de um representante do Ministério da Defesa à imprensa nesta terça-feira.

A trégua foi mantida, em grande parte, durante a noite de segunda-feira e madrugada de terça, apesar de algumas violações esporádicas, incluindo em Donetsk, um reduto rebelde e a maior cidade da região, onde forças do governo controlam o aeroporto. / REUTERS e EFE

Mais conteúdo sobre:
RússiaUcrânia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.