Novosti Pool Photo via AP
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Putin responsabiliza EUA pela crise de refugiados na Europa

Presidente russo disse que as políticas ocidentais visam impor seus valores, e reiterou que pretende criar uma coalizão internacional para combater o Estado Islâmico

O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2015 | 10h19

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, responsabilizou os Estados Unidos e a sua política no Oriente Médio pela onda de refugiados que chega atualmente ao continente europeu.

"A Europa segue às cegas essa política (dos EUA) no marco de seus compromissos de aliados e depois arca com todo o peso das consequências”, disse Putin nesta sexta-feira, 4, aos jornalistas durante o Fórum Econômico de Vladivostok.

O presidente russo comentou que vê "com perplexidade como alguns meios de comunicação americanos criticam à Europa por uma excessiva, segundo eles, crueldade com os imigrantes", enquanto os próprios EUA não sofrem a onda de refugiados de países em guerra no Oriente Médio, na Ásia Central e no norte da África.

"A crise (de refugiados) era de se esperar. Nós na Rússia já previmos há vários anos problemas de envergadura se nossos parceiros ocidentais seguissem com sua política externa errônea, sobretudo nas regiões do mundo muçulmano", lembrou Putin.

O chefe do Kremlin reiterou que essa política realizada até hoje pelo Ocidente pretende impor seus valores e padrões nessas regiões sem levar em consideração suas peculiaridades históricas, religiosas, nacionais e culturais.

A primeira coisa que é preciso fazer para resolver o problema dos refugiados, segundo Putin, "é lutar juntos contra o terrorismo e os extremismos de todo tipo, principalmente nos países com problemas".

Combate ao extremismo. O presidente russo reforçou que a Rússia quer impulsionar a criação de uma coalizão internacional para combater os jihadistas do Estado Islâmico (EI), proposta que já fez ao presidente americano, Barack Obama, e também a vários líderes do mundo árabe.

"Apesar de ser impossível hoje em dia que todos os países interessados em lutar contra o terrorismo se organizem no campo de batalha, seria preciso conseguir pelo menos uma coordenação entre eles", advertiu Putin em alusão à recusa do Ocidente, da Arábia Saudita e da oposição síria em lutar junto às tropas do presidente Bashar Assad.

Enquanto Moscou considera que uma coalizão militar que una o regime de Damasco com sua oposição na luta contra um inimigo comum impulsionará o processo político na Síria, Washington se propôs a estender seus ataques aéreos às tropas de Assad se estas atacarem as milícias apoiadas pelo Ocidente.

Putin ainda disse em Vladivostok que os ataques aéreos americanos contra o EI no Iraque e na Síria são ineficazes. “Até agora, a eficácia desses ataques tem sido escassa”, afirmou.

A Rússia reiterou em muitas ocasiões suas críticas às potências ocidentais por minar as posições de Damasco, alegando que essa estratégia apenas debilitará a capacidade das autoridades sírias de fazer frente à ameaça do EI. /AFP e EFE

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