Sputnik/Alexei Nikolsky/Kremlin via Reuters
Sputnik/Alexei Nikolsky/Kremlin via Reuters

Prevista para março retirada de tropas em zonas disputadas por Ucrânia e Rússia

Presidentes Putin e Zelenski se encontraram nesta segunda-feira pela primeira vez na cúpula se encontraram pela primeira vez em uma cúpula em Paris

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2019 | 19h27
Atualizado 10 de dezembro de 2019 | 12h02

PARIS - Os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Volodmir Zelenski, entraram em acordo nesta segunda-feira, 9, para trabalhar na retirada das tropas em três zonas disputadas até o fim de março de 2020, após uma cúpula realizada em Paris sobre o conflito que os opõe. As negociações estavam paradas desde 2016. 

Putin e Zelenski, no poder desde maio, se encontraram em uma cúpula com um formato chamado de Normandia, referência à região francesa onde os governantes dos dois países se reuniram pela primeira vez em 2014. As partes concordaram "sobre o objetivo de proceder a retirada das forças e dos equipamentos daqui até o fim de março de 2020", segundo a declaração conjunta.


O encontro bilateral contou com a participação dos presidentes francês, Emmanuel Macron, e alemão, Frank-Walter Steinmeier. Após o encontro, Macron anunciou que em quatro meses será organizada uma nova cúpula sobre o restabelecimento da paz na Ucrânia, com a participação dos quatro presidentes.

"Avançamos sobre a retirada, as trocas de prisioneiros, o cessar-fogo e a evolução política" e "pedimos que nossos ministros trabalhem nos próximos quatro meses com vistas a organizar eleições locais, com o objetivo de uma nova cúpula em quatro meses", disse Macron.

Antes do encontro bilateral, os dois dirigentes sentaram-se frente a frente numa mesa em um salão do Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, com Macron e a chanceler alemã, Angela Merkel.

O encontro desta segunda foi possível após uma série de reuniões bilaterais e se dá após três anos de paralisação das negociações do processo de paz entre os dois países.

A guerra entre Kiev e os separatistas pró-Rússia provocou mais de 13 mil mortes na Bacia de Donetsk, reduto industrial do leste ucraniano, em mais de cinco anos.

Os combates registraram queda desde os acordos de Minsk em 2015. Mas 80 mil homens permanecem na linha de frente, ao longo de 500 quilômetros, e mortes acontecem todos os meses no conflito.

Os países ocidentais e a Ucrânia acusam a Rússia de financiar e armar os rebeldes, o que Moscou nega, afirmando que desempenha um papel político-humanitário para proteger as populações locais de língua russa.

Teste para Macron

Macron e Merkel, a única a ter participado ao lado de Putin de todos encontros prévios sobre o tema, esperam sinais concretos em Paris para avançar nas negociações de paz.

"Precisamos da consolidação do cessar-fogo, da remoção de minas da linha de contato, da definição de novas áreas de retirada (de combatentes), prever novas trocas de prisioneiros", detalha a presidência francesa.

Para Macron, cujo pedido de aproximação entre a UE e a Rússia ainda não é bem recebido por seus colegas europeus, esta cúpula também será uma prova da boa vontade do presidente Putin.

"Se a cúpula fracassar, isso seria um fracasso pessoal para Macron por seus esforços para que isso acontecesse", diz Gerhard Mangott, professor de Relações Internacionais da Universidade de Innsbruck, na Áustria.

Desde a mudança de presidente na Ucrânia, houve um alívio nas tensões: 70 prisioneiros foram trocados - incluindo figuras muito simbólicas - as tropas recuaram em três pequenos setores da linha de frente e os navios de guerra que foram interceptados pela Rússia foram devolvidos.

Mas Zelenski, um estreante na política que chegou ao poder em maio, está sob pressão da opinião pública em seu país, que teme que ele faça muitas concessões para cumprir sua promessa de campanha de acabar com a guerra.

Busca de concessões bilaterais

Cerca de 200 pessoas passaram a noite em barracas de campanha em frente à sede da presidência em Kiev, para pressionar Zelenski para que não "capitule". No domingo, 5 mil pessoas participaram de uma manifestação no centro da capital ucraniana com o mesmo objetivo.

Zelenski impôs várias condições à realização de eleições em Donetsk, uma etapa fundamental do processo de paz, em torno da qual há muita preocupação.

O presidente ucraniano exige o desmantelamento prévio de todos os grupos armados "ilegais" - incluindo os separatistas pró-russos e seus aliados russos - e o retorno para Kiev do controle da fronteira com a Rússia, pela qual supostamente passam militares e armas.

No entanto, os acordos de Minsk apenas preveem esta medida no dia seguinte às eleições em Donetsk. "Se houver como renegociar esse ponto ou encontrar uma maneira de satisfazer a solicitação do presidente Zelenski, estamos dispostos a discuti-los", disseram fontes no Eliseu.

Putin tem sido mais cauteloso com suas intenções, contente em descrever o presidente ucraniano como "sincero" e "simpático".

Mas as concessões não podem vir apenas de Zelenski, insiste a Alemanha. "Se quisermos progredir, a Rússia também deve fazer um gesto", disse Heiko Mass, chefe da diplomacia alemã./AFP

 

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.