Putin suspende participação da Rússia em tratado militar

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira, 26, que suspendeu a participação da Rússia em um importante tratado de controle de armas até que os Estados Unidos e outras nações da Otan ratifiquem o acordo. Putin lamentou que a Rússia tenha se comprometido com a versão revisada do Tratado de Forças Convencionais na Europa (CFE, na sigla em inglês) - acordo que remete à era soviética -, enquanto "nossos parceiros se comportam de forma incorreta, para dizer o mínimo". O presidente russo associou a falta de cooperação aos planos dos Estados Unidos de instalar um escudo de defesa de mísseis na Europa. Em seu discurso anual às duas casas do Parlamento, Putin destacou que os signatários do tratado de 1990 não o estavam respeitando, e que o plano dos EUA de instalar sistemas de mísseis de defesa na Polônia e na República Tcheca piora a situação. Inicialmente assinado em novembro de 1990 e emendado em 1999 para refletir as mudanças ocorridas após o colapso da União Soviética, o CFE limita o número de aeronaves, tanques e outros armamentos pesados não nucleares na Europa, e estipula os locais em que esses equipamentos podem ser colocados.A Rússia ratificou a versão emendada, mas os Estados Unidos e outros membros da Otan se se recusaram em fazer o mesmo até que Moscou retire suas tropa das ex-repúblicas soviéticas da Moldova e Georgia.Escudo de mísseisO presidente disse que a Rússia irá tentar se retirar do tratado como um todo se as negociações que ele propôs com países da Otan não resolverem as queixas da Rússia quanto ao escudo antimísseis que deve ser instalado pelos Estados Unidos em países da Europa Oriental. A Rússia afirma que o plano de um escudo - que segundo Washington tem como objetivo proteger contra ataques dos chamados "países nocivos", como Irã e Coréia do Norte - é uma ameaça à sua segurança nacional. "(Os países da Otan) estão...construindo bases militares em nossas fronteiras e, mais do que isso, estão planejando colocar elementos de sistemas de defesa antimísseis na Polônia e na República Tcheca", disse Putin. "Assim, considero oportuno declarar uma moratória à implementação pela Rússia deste tratado - de qualquer modo, até que todos os países do mundo tenham ratificado e começado a implementá-lo", disse Putin.Texto ampliado às 14h08

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.