Putin toma posse no Kremlin com pedido de 'união nacional'

Ex-espião da KGB chega à presidência pela 3ª vez, em meio a protestos e prisões; Medvedev deve ser nomeado premiê

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2012 | 03h05

Vladimir Putin celebrou ontem sua terceira cerimônia de posse no Kremlin, desta vez pedindo "união nacional" e prometendo "uma nova economia". Perto dali, a polícia voltou a prender manifestantes que protestavam contra o retorno do ex-agente da KGB à presidência, incluindo pessoas sentadas em um café que vestiam uma fita branca, símbolo da oposição.

Espera-se que o Parlamento russo aprove hoje o nome de Dmitri Medvedev para o posto de primeiro-ministro, concluindo a troca de cadeiras que tem irritado setores cada vez maiores da sociedade russa.

Putin, de 59 anos, foi presidente de 2000 a 2008, mas, com o veto constitucional a uma segunda reeleição, fez Medvedev seu sucessor e assumiu o cargo de premiê. De volta à presidência ontem, ele poderá ficar no cargo até 2024.

Diante de 2 mil convidados, Putin avançou por um tapete vermelho pelo Kremlin adentro até o salão de colunas douradas, antes ocupado pelos czares. "Nós atingiremos nossos objetivos se formos um povo unido, se dermos valor a nossa pátria, fortalecermos a democracia, os direitos constitucionais e as liberdades", defendeu em um discurso de cinco minutos logo após seu juramento.

O presidente foi eleito com mais de 60% dos votos, em março, mas crescem os sinais de descontentamento com as regras da política russa. Em dezembro, dezenas de milhares haviam protestado em várias cidades russas. Desde o início do governo de Boris Yeltsin (1991-1999) não se viam protestos como os dos últimos meses na Rússia.

"Queremos e vamos viver em um país democrático", garantiu ontem Putin. Em seus discursos, ele não mencionou os protestos que ocorriam a algumas centenas de metros dali.

Entre dois hotéis de luxo que dão acesso à Praça Vermelha, um grupo de manifestantes começou a gritar "Rússia sem Putin". Ao todo, mais de 22 opositores teriam sido presos ontem. No domingo, quando milhares tentaram avançar até os muros do Kremlin, 250 acabaram detidos, incluindo figuras populares da política russa.

Status global. Entre os decretos assinados ontem após a posse, um fazia referência às relações entre Moscou e Washington. Putin indicou que pretende "melhorar" as relações com os EUA, mas não "tolerará" ingerências em assuntos externos e exigirá garantias contra a construção de um escudo antimíssil da Otan na Europa.

O presidente disse querer uma "verdadeira parceria estratégica", mas em "condições de igualdade". No fim do mês, Putin e o presidente Barack Obama terão o primeiro encontro, durante a cúpula do G-8. / REUTERS

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