AFP PHOTO / SPUTNIK / Alexander ASTAFYEV
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Putin promete foco em política interna no quarto mandato

O líder, que foi reeleito em março com 76,7% dos votos, ficará no poder até 2024 e voltou a propor Dmitri Medvedev para o cargo de primeiro-ministro

O Estado de S.Paulo

07 Maio 2018 | 07h03
Atualizado 07 Maio 2018 | 20h57

MOSCOU - O presidente Vladimir Putin, o líder russo que mais tempo está no poder desde Josef Stalin, tomou posse nesta segunda-feira, (7) para um quarto mandato. Seu breve discurso, fortemente voltado para temas domésticos, foi feito a alguns milhares de convidados no Kremlin e com muita pompa. 

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O presidente russo enfatizou o que precisa ser feito internamente, referindo-se aos desafios que o país enfrenta há tempos com uma economia estagnada e uma taxa de natalidade decrescente. Segundo ele, a Rússia precisa expandir a liberdade para empreendedores e cientistas, investir no desenvolvimento regional e elevar a qualidade da educação e da saúde. 

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“A Rússia é um participante forte, ativo e influente na vida internacional”, disse Putin, que governará por mais seis anos. “Mas agora temos de utilizar todos os recursos que estiverem à nossa disposição para, primeiro, internamente, resolver os mais vitais desafios de desenvolvimento.”

Como ocorre na maioria dos eventos de Putin, a cerimônia foi meticulosamente coreografada para a televisão. Antes de seu discurso, o líder de 65 anos atendeu a um telefonema em sua mesa avisando que era hora da cerimônia. Ele se levantou, vestiu o paletó e caminhou por um tempo considerável antes de cruzar os corredores do Kremlin, como mostrou a TV estatal. Ele utilizou uma limusine de fabricação russa para se deslocar até o prédio onde tomou posse, no mesmo salão onde eram coroados os czares. 

Putin, que lidera o país desde 2000 como chefe de Estado e de governo, foi reeleito presidente em março com 76,7% dos votos, o melhor resultado desde sua chegada ao poder. Seus aliados afirmam que o resultado demonstra o amplo apoio a Putin, mas os críticos dizem ser um retrato da falta de qualquer oposição real no país. 

Putin já havia prometido melhorar a vida dos cidadãos em um discurso este ano. No entanto, o tema tem sido eclipsado pelas tensões com o Ocidente, que vão desde os temores de uso de armas nucleares ao envenenamento de um espião russo no Reino Unido. De acordo com o Washington Post, há sinais de que os russos estão ficando cada vez mais impacientes com o crescimento lento da economia e com a corrupção.

Seu adversário mais perigoso, Alexei Navalni, foi impedido de concorrer. No sábado, ele e centenas de apoiadores foram detidos pela polícia enquanto protestavam em Moscou contra o novo mandato de Putin com o slogan: “Putin não é nosso czar”. O opositor foi libertado ainda no fim de semana.

O fiel aliado de Putin, Dimitri Medvedev, foi indicado por ele para ser seu primeiro-ministro, uma decisão que deverá ser confirmada nesta terça-feira pelo Parlamento. Ele foi presidente da Rússia de 2008 a 2012 e ocupou o posto de primeiro-ministro de 2012 a 2018. Medvedev tem sido o principal alvo dos protestos anticorrupção de Navalni. / W. POST, NYT e REUTERS 

 

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