Putin vai à Bielo-Rússia entre boatos de unificação

O presidente russo, Vladimir Putin, viajou ontem para a Bielo-Rússia em meio a especulações de que os dois governos discutem a unificação dos dois Estados. Apesar de o Kremlin ter descartado essa hipótese, o governo do presidente bielo-russo, Alexander Lukashenko, disse que o projeto poderia ser discutido pelos dois líderes.Na semana passada, a rádio russa Ekho Moskvy, citando fontes de Minsk, afirmou que Putin e Lukashenko teriam firmado um acordo no qual o líder russo se tornaria presidente de uma eventual união entre os dois países, enquanto o bielo-russo seria o presidente do Parlamento. A formação de uma "federação russo-bielo-russa" seria uma boa saída para Putin, que deixa o cargo no ano que vem e poderia assumir o controle da nova entidade. Os dois países assinaram em 1996 um acordo que previa o aprofundamento de laços políticos, econômicos e militares. Uma união completa, no entanto, nunca chegou a se concretizar. A unificação seria a primeira entre duas nações da ex-União Soviética, desde que o bloco se desintegrou em 1991. Alguns analistas, porém, duvidam que o projeto vá adiante. Para eles, Lukashenko não abrirá mão do poder."Os dois querem coisas opostas. Moscou quer expandir sua presença na Bielo-Rússia, enquanto Minsk quer mais ajuda econômica russa, mas mantendo sua soberania", afirmou o analista político bielo-russo Alexander Klaskovsky. Em 2002, o Kremlin cogitou da incorporação da Bielo-Rússia ao território russo, mas a proposta acabou rejeitada por Lukashenko.GRÃ-BRETANHAO primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse ontem que o fechamento de dois escritórios do Conselho Britânico na Rússia é inaceitável. "Exigimos que essa decisão seja revista imediatamente", disse.Autoridades russas disseram que os dois escritórios do Conselho Britânico, que serve como braço cultural da Embaixada da Grã-Bretanha, estavam operando ilegalmente.O episódio aumenta ainda mais a tensão entre os dois países, cuja relação se deteriorou em 2007. Londres acusa o ex-espião russo Andrei Lugovoi de assassinar o também ex-agente da KGB Alexander Litvinenko, em Londres, em 2006. A Rússia recusa-se a extraditar Lugovoi. AP E REUTERS

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