Putin vê no Brics contraponto aos Estados Unidos

Em entrevista para agência estatal de notícias, presidente russo afirma que papel do bloco deve ser elevado a um novo nível

O Estado de S. Paulo

14 Julho 2014 | 23h54

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, disse que é hora de elevar o papel do Brics a um novo nível. Em entrevista publicada nesta segunda-feira, 14, pela agência russa Itar-Tass, ele afirmou que as potências emergentes devem ter um maior papel nas questões mundiais para contrabalançar a influência dos Estados Unidos.

Ele defendeu que os países do Brics desenvolvam uma cooperação em todos os níveis para se contrapor às tentativas de “alguns países” de impor à comunidade internacional sua política de derrubar regimes indesejáveis e promover soluções unilaterais a situações de crise. 

Putin também disse na entrevista, realizada antes de sua viagem para a Cúpula do Brics, que começa na terça-feira, 15, em Fortaleza, que a Rússia pressionará os outros membros do grupo - Brasil, Índia, China e África do Sul - a chegar a um acordo com medidas para prevenir “ataques com sanções” dos EUA, que “pressionam” os países que se opõem a suas políticas. 

“Recentemente, a Rússia esteve exposta a ataques com sanções dos EUA e seus aliados (a União Europeia), disse Putin, referindo-se às sanções adotadas contra a Rússia pela anexação da Crimeia e a intervenção em uma insurgência separatista na Ucrânia. Os EUA e a UE impuseram proibição de vistos e congelamento de ativos de alguns funcionários do governo e companhias russas, além de ameaçar com mais sanções se Moscou não tomar medidas para conter a crise na Ucrânia. O governo russo é acusado de respaldar os separatistas pró-Rússia da Ucrânia.

Putin não deu detalhes, mas disse que o Brics deveria cooperar mais nas Nações Unidas, onde a Rússia e a China têm direito a veto, e trabalhar para combater as ameaças a sua segurança. 

O presidente russo afirmou que durante a cúpula vai discutir a questão da Ucrânia e a crise na Síria e no Iraque, “onde grupos extremistas e terroristas estão se fortalecendo”. “Uma atenção séria deve ser dada à Ucrânia e às medidas da comunidade internacional para conter o derramamento de sangue no país”, disse Putin.

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