sammisreachers/Pixabay
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Puxada pela Colômbia, produção de cocaína foi recorde em 2017

Aumento mundial foi de 25% em relação a 2016, revela estudo de agência da ONU, que manifestou sua preocupação

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2019 | 21h29

VIENA - Impulsionada por uma forte alta na Colômbia, a produção mundial de cocaína bateu um novo recorde em 2017, superando em 25% o anterior de 2016, indicou um relatório do Escritório da ONU contra a Droga e o Crime (UNODC) divulgado ontem.

Cultivos em locais remotos e novas quadrilhas impulsionaram a produção no maior produtor mundial, apesar dos esforços para afastar as comunidades rurais do plantio de coca após o acordo de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

“É uma má notícia para os países produtores. O que está acontecendo na Colômbia é preocupante”, disse Angela Me, chefe de pesquisas do UNODC, com sede em Viena.

O relatório diz que o salto na produção “foi liderado sobretudo pelo aumento na Colômbia, que produz cerca de 70% da cocaína mundial”.

Entre 2008 e 2017, registrou-se um aumento de 50% na produção, atingindo um recorde de 1.976 toneladas dois anos atrás, segundo o relatório, que tem como base cifras dos sistemas nacionais de monitoramento.

No mesmo período de dez anos, a quantidade de cocaína apreendida em nível mundial subiu 74%. Em 2017, as autoridades interceptaram uma quantidade recorde da droga: 1.275 toneladas, 13% a mais que no ano passado.

“Isso sugere que as forças de segurança se tornaram mais eficazes e o reforço da cooperação internacional pode ter ajudado no aumento das apreensões”, explica o estudo. Cerca de 90% das apreensões ocorreram no continente americano. Só na Colômbia foram apreendidos 38% do total mundial em 2017.

A produção de cocaína em algumas áreas do centro da Colômbia caiu após o acordo de paz de 2016 com as Farc, já que as autoridades ofereceram a camponeses alternativas ao cultivo da coca. Mas o relatório diz que, desde então, a Colômbia viu mais cultivos de coca, com novas terras, frequentemente muito longe das grandes cidades e grupos criminosos que migraram para áreas antes controladas pela guerrilha.

O UNODC elevou drasticamente sua estimativa para o número de pessoas com problemas pelo uso de drogas que precisa de tratamento. Em nível mundial, 35 milhões de pessoas teriam problemas com drogas em 2017, cerca de 4,5 milhões a mais que a estimativa anterior.

A crise dos opioides nos EUA também bateu um novo recorde em 2017, com mais de 47 mil mortes por overdose com esta substância. O UNODC estima em 53,4 milhões os consumidores de opioides em 2017, 56% a mais que em 2016. 

O fentanil e os analgésicos similares continuam sendo um grande problema na América do Norte. As apreensões mundiais de opioides sintéticos passaram de menos de 10 quilos em 2010 para quase 9 toneladas em 2013 e um recorde de 125 toneladas em 2017. / AFP

 

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