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JOEL SAGET / AFP
JOEL SAGET / AFP

Puxada por Brasil e EUA, região das Américas passa Europa em casos

Continente americano tem 1,74 milhão de casos, segundo a Organização Mundial da Saúde

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 09h37
Atualizado 12 de maio de 2020 | 15h38

GENEBRA - A região das Américas superou nas últimas horas a Europa em número de casos de covid-19, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O continente americano tem agora 1,74 milhão de casos, enquanto o Velho Continente soma 1,73 milhão. 

A Europa foi, desde meados de fevereiro, o epicentro da pandemia, nas palavras do próprio diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, mas o maior número de casos diários nas últimas semanas é observado agora em países como Estados Unidos, Brasil e Canadá

Apesar do maior número de infecções, as mortes no continente americano, que na segunda-feira ultrapassaram a barreira dos 100 mil, são inferiores às quase 160 mil da Europa.

De acordo com os dados mais atualizados das autoridades sanitárias nacionais, os Estados Unidos somam 1,3 milhão de contágios, enquanto o Brasil tem 169 mil casos, sendo o oitavo do mundo em números de pessoas infectadas. O Canadá é o 13º país mais afetado com quase 70 mil. 

Os EUA confirmaram mais de 80 mil mortes, enquanto o Brasil teve pouco mais de 11 mil e o Canadá, quase 5 mil. Apesar dos números elevados, vários países do continente americano já estão elaborando planos de relaxamento das quarentenas impostas. 

Fragilidades da região 

"Com a provável transformação do Brasil em epicentro da doença e com número de casos e óbitos avassalador que se avizinha, teremos a exceção que confirma a regra: o País em desenvolvimento que tem um grande sistema público, com estrutura única no mundo por seu alcance, por seus recursos humanos e seus princípios, mas cuja resposta tem sido considerada a pior do mundo pela incompetência do governo federal", afirma a professora Deisy Ventura, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

"Além de ter em alguns países governos incompetentes, como o nosso, os Estados das Américas também sofrem as consequências das políticas de austeridade fiscal que se acentuaram depois da crise de 2008", disse. 

Nos EUA, médico do governo alerta para novo surto 

Nesta terça, o Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças infecciosas, alertou sobre os riscos de uma reabertura prematura nos Estados Unidos, indicando a possibilidade real de uma nova onda de surtos. 

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) estima que a covid-19 vai afetar as economias com a pior contração que a região sofreu desde 1930. Para 2020, a entidade prevê uma redução média da economia regional de 5,3%.

Dificuldades nas fronteiras

A ausência de medidas rígidas no Brasil - o responsável pelo maior número de casos na América do Sul - levou vizinhos como Argentina e Paraguai a apertarem o cerco para conter a disseminação do vírus. Autoridades dos dois vizinhos só autorizaram o trânsito de caminhões de cargas. Apesar da passagem livre, os transtornos são frequentes. 

Na Argentina, caminhoneiros estrangeiros não têm liberdade para circular e parar em qualquer lugar. Uma espécie de corredor rodoviário foi estabelecido com a demarcação de postos de combustíveis para os motoristas que abastecem e fazem refeições. 

Em carta, líderes dizem que resposta América Latina tem sido desigual

As consequências da pandemia reforçam a avaliação de 13 líderes da América Latina que, em abril, assinaram uma carta dizendo que a crise exigia uma ação rápida e decisiva, mas que viam respostas desiguais e políticas populistas. "Vários governos reagiram prontamente, fazendo da proteção à saúde pública seu principal objetivo. Infelizmente, outros tendem a minimizar os riscos da pandemia, desinformando os cidadãos e desconsiderando tanto evidências científicas quanto orientações de seus próprios especialistas”, diz o documento assinado por quatro ex-presidentes, entre eles Fernando Henrique Cardoso e autoridades da área econômica como o ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn.

Caribe vê hotéis fechados e navios ancorados 

A pandemia deve fazer a economia dos países do Caribe cair até 50%, estima o Banco de Desenvolvimento do Caribe. Segundo a Organização de Turismo do Caribe, o setor emprega 2,5 milhões de pessoas na região, composta por pequenos Estados insulares endividados e com economias pouco diversificadas. 

Em Santa Lúcia, ilha com 178 mil habitantes nas Antilhas, 13 mil pessoas já perderam o trabalho. Em Porto Rico, território americano que já vinha sofrendo com as consequências do furacão Maria, de 2017, 93 dos 160 hotéis fecharam as portas, ameaçando cerca de 20 mil empregos. 

O turismo, um dos setores mais afetados pelo surto, representa de 30% a 50% do PIB de países como Bahamas, Barbados e Jamaica, de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em alguns países, o setor responde por mais de 80% das receitas diretas e indiretas, como em Aruba.  / Reuters, AFP, EFE e NYT 

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