Pyongyang acusa Washington de manter 'jogo duplo' durante diálogo

Unidades especiais dos EUA destacadas no Japão realizaram manobras de voo para 'infiltração em Pyongyang em caso de uma mudança de direção', segundo artigo publicado por um jornal estatal norte-coreano

EFE

27 Agosto 2018 | 02h01

SEUL - A Coreia do Norte acusou os Estados Unidos de manter um "jogo duplo e maquinar um complô criminoso contra o país", após serem reveladas manobras de voo supostamente destinadas a se infiltrar em Pyongyang se as negociações falharem.

O jornal estatal norte-coreano, o "Rodong Sinmun", disse que unidades especiais dos EUA destacadas no Japão realizaram manobras de voo para "infiltração em Pyongyang em caso de uma mudança de direção", em artigo publicado no domingo, 26, no qual cita como fonte a rádio sul-coreana.

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O texto, repercutido pela agência estatal de notícias "KCNA", assegura que antes desses exercícios o submarino nuclear USS Michigan transportou várias unidades especiais de Okinawa (sudoeste de Japão) até a base naval sul-coreana de Jinhae (a 410 quilômetros a sudeste de Seul) no final de julho ou começo de agosto.

"Não podemos deixar de tomar nota das atitudes de jogo duplo dos EUA, que estão ocupados em organizar testes secretos que envolvem unidades especiais que matam homens enquanto dialoga com um sorriso no rosto", segundo o texto.

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O "Rodong Sinmun" rotulou tais movimentos como "extremamente provocativos e perigosos e de quererem arruinar a atmosfera de paz na península coreana e o diálogo entre Pyongyang-Washington, assim como evitar a implementação da declaração assinada pelos líderes dos dois países na sua reunião de 12 de junho em Singapura".

"Tais atos demonstram que os EUA estão maquinando um complô criminoso para criar uma guerra contra a RPDC (República Popular Democrática da Coreia, nome oficial do país) e cometer um crime que merece um castigo divino impiedoso em caso de o cenário injusto e bandidesco da desnuclearização 'primeiro' falhar".

O jornal recomenda a Washington "refletir sobre seus atos", e assegura estar "tristemente errado se acredita que pode intimidar alguém com a 'diplomacia de canhoneiro' que usava como arma onipotente no passado para conseguir seu sinistro propósito ". /EFE

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