Pyongyang ameaça com guerra enquanto Hillary chega a Seul

Coreia do Norte afirma que EUA preparam conflito nuclear; secretária de Estado discute desarmamento nuclear

Agências internacionais,

19 de fevereiro de 2009 | 08h50

A Coreia do Norte acusou nesta quinta-feira, 19, os Estados Unidos de planejar um ataque nuclear. A acusação coincide também com a viagem da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, para a Coreia do Sul, onde deve abordar com as autoridades a questão do desarmamento nuclear norte-coreano, que se tornou um dos temas de maior destaque dessa viagem pela Ásia, a primeira internacional que faz desde que assumiu o cargo em janeiro.   Está foi a última declaração de confronto feita por Pyongyang, depois dos norte-coreanos voltarem a ameaçar Seul com um "confronto total" no momento em que crescem os rumores sobre os preparativos de um possível lançamento de um míssil norte-coreano de longo alcance. "Os quartéis bélicos americanos estão avançando com os movimentos para as preparações...com o desejo de promover um ataque nuclear", afirmou a mídia da Coreia do Norte.   "Os EUA estão falando sobre o que chamam de 'diálogo' e 'paz' na península coreana, mas, na verdade, buscar a escalada de um confronto militar", afirmou a agência estatal norte coreana. Pyongyang, que repetidamente ameaçou atacar Seul, já tinha advertido em janeiro que adotaria uma "postura de confronto" com o governo conservador de Seul. Analistas acreditam que com essas mensagens a Coreia do Norte pretende abrir espaço para uma mudança na política conservadora de Seul, assim como chamar a atenção do governo Barack Obama.   No início da semana, Hillary alertou o governo da Coreia do Norte para que evite provocações potencialmente prejudiciais ao progresso nas relações entre os dois países. As declarações de Hillary foram uma resposta ao anúncio de Pyongyang de que o país tem direito ao "desenvolvimento espacial". O termo já foi usado antes para mascarar o teste de um míssil de longo alcance como se fosse um lançamento de satélite.   Hillary ainda afirmou que, se o regime de Kim quiser pôr fim ao seu isolamento terá de cumprir as promessas de desnuclearização feitas durante o governo do ex-presidente americano George W. Bush. Segundo um acordo assinado em 2007 por EUA, China, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Coreia do Norte, o regime comunista de Kim aceitou acabar com seu programa nuclear em troca de ajuda energética. No entanto, as negociações chegaram a um impasse no fim de 2008, depois que Pyongyang se negou a autorizar inspeções de comprovação de seu processo de desnuclearização.   Entre as possíveis reações de Washington ao fim das atividades nucleares de Pyongyang está a normalização das relações com os EUA, além da assinatura de um tratado de paz entre as duas Coreias - que, tecnicamente, continuam em guerra. Os americanos também poderiam se comprometer a dar ajuda energética, financeira e humanitária para os norte-coreanos.

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